FHC inaugura cúpula com discurso contundente

Num discurso forte, o presidente Fernando Henrique Cardoso deixou clara a dimensão do desafio que enfrentam os chefes de Estado e de governo presentes em Quebec ao falar na cerimônia de inauguração da 3ª Cúpula das Américas.Os termos do discurso de Fernando Henrique Cardoso conflitaram com os pontos de vista do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Os executores da política externa norte-americana são especialmente sensíveis aos temas abordados pelo presidente brasileiro. Fernando Henrique afirmou que a democracia é importante para o processo de integração das Américas e que questões ambientais e trabalhistas não devem ser usadas para limitar o acesso de países aos mercados. Integrar Cuba tambémEm seu discurso, Fernando Henrique, citou a necessidade de incluir Cuba nas negociações sobre a integração das Américas, enquanto os EUA mantêm pressões contra o regime comunista de Fidel Castro.Fernando Henrique defendeu o ponto de vista de que a Alca deverá tratar de regras antidumping, contestou o uso de regras sanitárias como barreiras comerciais e pediu avanços no comércio agrícola.Outro ponto delicado de que tratou o presidente brasileiro é a defesa do Protocolo de Kyoto, sobre mudanças climáticas, que foi recentemente rejeitado pelo governo dos Estados Unidos. FHC defendeu também a possibilidade de acesso ao mercado dos países ricos.?Comunidade das Américas?O presidente citou todas as razões que condicionam o interesse do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) - que chamou apenas de ?uma possibilidade? - e defendeu o objetivo de construir uma Comunidade das Américas, que se traduza numa ?efetiva integração do hemisfério?.A integração deve pautar-se, segundo o presidente, pela tarefa de ?eliminação da profunda desigualdade de renda e de condições de vida, tanto dentro dos países como entre os países?.?O livre comércio é um dos instrumentos? para a realização de tais objetivos e não um fim em si mesmo , disse Fernando Henrique. ?A eliminação progressiva dos obstáculos às trocas comerciais pode desempenhar um papel decisivo na criação de oportunidades para o crescimento econômico e para a superação das desigualdades?, afirmou.Rodada Uruguai?A Alca será bem-vinda se sua criação for um passo para dar acesso aos mercados mais dinâmicos; se efetivamente for o caminho para regras compartilhadas sobre antidumping, se reduzir as barreiras não-tarifárias; se evitar a distorção protecionista das boas regras sanitárias; se, ao proteger a propriedade intelectual, promover, ao mesmo tempo, a capacidade tecnológica de nossos povos; e, ademais, se for além da Rodada Uruguai e corrigir as assimetrias então cristalizadas, sobretudo na área agrícola?.?Não sendo assim, seria irrelevante, ou, na pior das hipóteses, indesejável?, afirmou Fernando Henrique. ?Se tivermos a sabedoria de fazê-la bem feita, a Alca pode vir a ser um avanço da promoção do desenvolvimento e da justiça social.?O presidente brasileiro disse ainda que o destino das negociações ?depende das (da capacidade) lideranças políticas - chefe de Estado, de governo, parlamentares e movimentos da sociedade civil ? de realizar a grandeza de nosso hemisfério? e chamou a atenção para os protestos nas ruas contra a Alca.?Globalização sem rosto humano??As milhares de pessoas que se manifestaram nas ruas de Quebec esperam isso de nós: seu protesto é motivado pelo temor de uma Alca ou de uma globalização sem rosto humano. E mais importante: as centenas de milhões de pessoas que não vieram a Québec, mas cujo destino é parte inseparável da integração, esperam isso de nós, e não apenas neste encontro, mas nos anos que estão por vir. É este nosso desafio?.Leia Também:Protestos nas ruas e a polícia em cena para conter as manifestaçõesConferência paralela termina com repúdio Cúpula deve atestar brilho dos líderesArgentina quer Mercosul, garante De la Rúa Protesto na Paulista termina em quebra-quebra Esperam-se novos confrontos em Quebec

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