FHC pede ação dos líderes mundiais pela paz no Oriente Médio

O presidente Fernando Henrique Cardosodefendeu nesta terça-feira uma atuação mais efetiva dos líderes mundiaisna construção da paz no Oriente Médio. Por sua orientação, oembaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU),Gelson Fonseca, conclamou o Conselho de Segurança a envolver-sediretamente na promoção da paz entre Israel e a AutoridadePalestina, em discurso proferido hoje no organismo. "A responsabilidade dos grandes líderes mundiais é imensanesse momento e não cabe a eles cruzar os braços, nem a nós, eolhar o que está acontecendo", afirmou o presidente, durantesolenidade de posse dos novos ministros do governo no Palácio doPlanalto. "É preciso construir situações mais favoráveis",completou, assinalando que a opinião pública mundial parece"estar anestesiada" e apenas assistindo às cenas de barbárie ede terrorismo que estão acontecendo no Oriente Médio. Fernando Henrique, entretanto, afirmou não acreditar que essasituação de conflito vai perdurar. Mas deixou clara a posiçãobrasileira em relação à escalada de violência. Ele informou quedeu instruções a Fonseca para que, de comum acordo com demaispaíses latino-americanos, "atue mais efetivamente na construçãode condições de paz". Para o presidente, "cabe aos brasileiros preservar esses valores da paz, de concórdia, de democracia ede boa convivência". Em Nova York, na tarde de hoje, Fonseca cumpriu parte dasdeterminações do presidente. Em discurso nas Nações Unidas, oembaixador brasileiro deixou claro que o Conselho de Segurança"tem a responsabilidade especial de utilizar seus instrumentoslegítimos para exigir o cumprimento de suas decisões".Indiretamente, a mensagem chamou a atenção para a necessidade deo Conselho valer-se de sua possibilidade de enviar missões depaz e até tropas para a região de conflito. "Uma presençainternacional, com pleno apoio das Nações Unidas, pareceindispensável", declarou Fonseca. De acordo com o presidente, este será um ano difícil. Elelembrou que a interconexão entre os países faz com que tudo oque acontece em um ponto do mundo, se reflita no outro. "Nóstodos vimos, lemos e ouvimos aterrorizados o que estáacontecendo em certas partes do globo como terrorismo, osatentados criminosos contra os Estados Unidos, o Afeganistão, asquestões da Palestina e de Israel." E acrescentou: "isso afetaa todos nós". O presidente fez questão de falar dos esforços empreendidospelo Brasil em favor das negociações em busca da paz entreIsrael e a Autoridade Palestina, embora dentro dos limites daspossibilidades do País. "Eu me manifestei favoravelmente àproposta da Arábia Saudita de uma paz global naquela região",informou ele, acrescentando que chegou a enviar uma carta aopríncipe herdeiro saudita, Abdullah, autor da proposta de pazaprovada na semana passada pelos países árabes.

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