EFE/David Fernández
EFE/David Fernández

FHC sugere mais pressão econômica sobre Caracas

Ex-presidente acredita que tanto o Mercosul quanto a Unasul devem, além de suspender a Venezuela, cortar os vínculos comerciais com o país

Márcio Resende, Especial para o Estado , O Estado de S.Paulo

11 Maio 2017 | 21h30

BUENOS AIRES - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que tanto o Mercosul quanto a Unasul devem, além de suspender a Venezuela, cortar os vínculos comerciais com o país como forma de colocar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, contra a parede. Ele acredita que a pressão sem desfazer os elos comerciais “não resolve nada”.

A suspensão se completaria com a busca de uma solução interna para a qual a mediação de Cuba é crucial. “Eles têm de ver que estão sozinhos, mas quem vai resolver não somos nós. São eles, internamente. Enquanto Maduro tiver a expectativa de apoio externo, ele vai poder resistir. Por isso, falo tanto de Cuba”, disse ao Estado em Buenos Aires, onde participou de um encontro com ex-presidentes.

“A OEA, a Unasul e o Mercosul têm de dizer que acabou o apoio externo. E acho que têm de falar com Cuba porque quem tem realmente penetração lá é Cuba. Infelizmente, o presidente (Donald)Trump atrapalhou o caminho da reintegração de Cuba num sistema dos países da região”, disse FHC, para quem a influência do Brasil é agora pequena na Venezuela.

“Um dos países que mais tinham influência sobre a Venezuela era o Brasil, mas o Brasil ficou paralisado. Primeiro, porque tinha muito investimento brasileiro na Venezuela. Segundo, porque havia uma aproximação ideológica entre o governo de Lula e o de Chávez. Como o governo brasileiro não podia ser totalmente ‘chavista’, então se calava. 

Então, nós perdemos capacidade efetiva de influenciar diretamente a Venezuela”, avalia o ex-presidente.

A Venezuela foi suspensa do Mercosul em dezembro, mas mantém vínculos comerciais. A Argentina assumiu a presidência rotativa da Unasul. A última vez que Mercosul e Unasul suspenderam um país foi o Paraguai, em 2012, mas mantiveram os vínculos comerciais.

 

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