FHC visita mostra brasileira em NY

O presidente Fernando Henrique Cardoso viveu nesta sexta-feira um dia de turista especial, ao visitar uma exposição que reúne 350 obras de arte e objetos brasileiros no Museu Guggenheim, um dos principais centros culturais de Nova York. Ele caminhou entre jornalistas, críticos de arte e organizadores da mostra, conversou com outros visitantes e, ao observar o quadro Trabalhadores, de Tarsila do Amaral, lembrou que tem uma obra assinada pela pintora paulista na parede de seu apartamento, na Rua Maranhão, em São Paulo. A exposição Brazil: Body and Soul foi inaugurada em meados de outubro no Guggenheim e é considerada pela crítica especializada como a maior mostra de arte brasileira feita no exterior. Reúne desde objetos indígenas a obras de artistas contemporâneos. Fernando Henrique afirmou que a mostra é como uma homenagem à cidade, referindo-se aos atentados terroristas de setembro, e defendeu seu prolongamento para além do prazo fixado, 27 de janeiro. "Essa exposição coincidiu com um momento difícil para Nova York", disse. "Acho que a cidade se está recobrando e vai recobrar completamente a força de sua vida, e nós gostaríamos que essa exposição continuasse como um brinde de homenagem a Nova York." Durante a caminhada, FHC foi abordado por um turista francês, que o havia reconhecido por seu discurso, na semana passada, na Assembléia Nacional da França. O turista tentou cumprimentá-lo, mas foi impedido por um segurança. Logo em seguida, o presidente ouviu elogios à mostra da crítica de arte do jornal The New York Times, Vicky Goldberg. "Estou muito orgulhosa de seu país", afirmou ela a FHC. Ao final da caminhada pelos corredores em espiral do museu, FHC ainda arriscou uma análise da arte brasileira exposta em Nova York, particularmente das obras do período barroco. "( A exposição ) dá uma impressão efetiva de que, nesses 500 anos, se construiu uma cultura específica", afirmou. "Sobretudo quando passamos por esse impressionante altar, que é do barroco quase português, e quando chegamos na parte mineira. Nesse período, o barroco fica mais abrasileirado, e as madonas já são gordinhas e têm um ar levemente amulatado."

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