Ficar parecido com Trump

Donald Trump tem fama de ser franco, mas na verdade é um falastrão que diz tudo o que vem à cabeça. A estratégia de criticar imigrantes e até os colegas republicanos tem rendido votos, mas também inimigos. Antes que o magnata registre uma patente de seu manual político, listamos exemplos de como ser Donald Trump.

O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2015 | 02h03

1.

Fique furioso com alguém.

Essa é uma parte muito importante do processo. Trump ficou maluco com o governo do México porque, em uma ação judicial contra um ex-sócio, venceu, mas não levou em razão da "corrupção do sistema jurídico" mexicano. Em fevereiro, ele pediu um boicote ao México. Ele está enlouquecido também com o senador republicano John McCain, porque ele disse que Trump "tinha inflamado aqueles pirados" com o comício contra a imigração no Arizona, duas semanas atrás.

2. Diga algo absurdo e inaceitável. Algo como: "Quando o México manda seu povo, não manda os melhores. Eles trazem drogas. Trazem a criminalidade. São estupradores". Ou que o senador John McCain não é "um herói de guerra porque foi capturado. Gosto dos que não foram capturados".

3. Mude imediatamente a coisa absurda que você disse. Um temperamental menos experiente simplesmente diria algo grosseiro, cruzaria os braços e faria cara de zangado. Mas Trump é tem classe, cabeça quente e experiência para saber das coisas. Portanto, logo depois de chamar os mexicanos de estupradores, acrescentou: "Alguns, acho, são boa gente". E mal afirmou que McCain "não é um herói de guerra", acrescentou: "Acho que pode ser que ele seja um herói de guerra". Será que isso engana alguém?

4. Defenda seus

comentários. Em parte, preservar a fama de "pessoa franca" significa nunca admitir que você está errado. "Será que Trump pedirá desculpas a McCain?", questionou a ABC News no domingo. "De modo algum", foi a resposta. "Será que Trump retirará seus comentários sobre os imigrantes?", indagou, em junho, Bill O'Reilly. "Não, porque são absolutamente certos", replicou Trump. Evidentemente, não eram "absolutamente certos". Nem sequer eram "mais ou menos precisos".

5.Finja que na

realidade você

estava falando de outra coisa. Depois de ser violentamente criticado durante uma semana por defender seus comentários incorretos sobre imigração, Trump divulgou um comunicado insistindo que estava falando do governo mexicano, não dos imigrantes regulares. "Não vejo como ainda é possível entender de maneira equivocada ou interpretar de maneira equivocada", dizia o comunicado. Então, citou seu próprio discurso, acrescentando o seguinte comentário entre parênteses: "Quando o México (no sentido do governo mexicano) manda o seu povo, não está mandando os melhores". Como seria possível que alguém entendesse de maneira equivocada aquilo que Trump precisava para esclarecer sua citação de si mesmo? Quanto a McCain, Trump insiste que caiu em cima do senador porque este é "outro de quem todos falam, um político sem ação, que fica tempo demais diante da televisão e tempo insuficiente no cumprimento de suas obrigações e ajudando os veteranos". Ao contrário, um "governo Trump proporcionará acesso à melhor assistência médica universal para os veteranos", escreveu o magnata em artigo no jornal USA Today. Isso nada tinha a ver com a crítica de Trump, vejam bem, mas com McCain, que chamara os partidários de Trump de "pirados". OK.

6. Use as reações de um público seleto como justificativa. Quanto à última frase do documento de Trump respondendo às críticas aos seus comentários de campanha, se existe alguma justiça no mundo, ela se tornará uma das frases de efeito mais usadas da campanha de 2016: "Note, Trump deixou o pódio sob uma longa ovação do público de pé, que será sem dúvida a maior ovação do fim de semana, e muitos elogios e felicitações". Além disso, usou seu crescimento nas pesquisas como defesa em relação aos comentários dos imigrantes: "O fato é que eu fiz uma observação, e a observação foi aceita", disse ele à Fox Business, na semana passada. "Uma semana atrás, foi uma coisa muito forte, mas agora todo mundo diz: Trump está certo". E há ainda o Twitter, no qual Trump retuíta compulsivamente as inúmeras pessoas que querem defendê-lo. O tuíte mais recente dizia: "Donald é um homem de verdade. Você é homem bastante para falar a verdade nesse patético mundo politicamente correto".

7. Esteja convencido de que está falando a verdade. "Eu falo o que eu quero falar", disse Trump a Martha Raddatz, da ABC, no domingo, "e talvez seja por isso que estou liderando as pesquisas, porque as pessoas estão cansadas de ouvir os políticos e as sondagens dizem aos políticos o que eles precisam falar exatamente".

8. Repita até a última luz da última

câmera se apagar. Se é que ela apagará. /

PHILIP BUMP, DO WASHINGTON POST

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