'Fico na embaixada enquanto for necessário' diz Tsvangirai

Opositor pede por envio de forças de paz da ONU e a mediação de países africanos para a crise no Zimbábue

Agências internacionais,

25 de junho de 2008 | 10h15

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, disse nesta quarta-feira, 25, que seu partido não negociará com o governo do presidente Robert Mugabe se o segundo turno das eleições presidenciais for realizado na próxima sexta-feira, 27. Tsvangirai deixou por algumas horas a Embaixada da Holanda em Harare, onde refugiou-se no domingo depois de abandonar a disputa pela Presidência do Zimbábue. Além disso, ele voltou a ressaltar a necessidade do envio de "soldados armados para a manutenção da paz" ao país.   Veja também: Opositor pede intervenção de tropas da ONU no Zimbábue Elizabeth II revoga título de cavaleiro de MugabeTsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos   Tsvangirai conversou com jornalistas em sua residência depois de deixar a representação diplomática holandesa. Ele parecia tranqüilo e voltou a rejeitar a realização do segundo turno das eleições, marcado para a sexta-feira. "A questão é que não teremos nada a ser feito com um governo pós 27 de junho, que surgirá nisso que chama de eleição", disse o oposicionista aos jornalistas. Após retornar ao prédio da chancelaria holandesa, Tsvangirai disse à CNN que ficará no local "enquanto for necessário".   O opositor pediu ainda para que os países africanos passem a agir "imediatamente" para conter a crise no Zimbábue. "Não podem haver esforços de mediação parciais. O tempo para ação é agora. O povo deste país não pode continuar esperando", afirmou. "Peço à União Africana e à Comunidade de Desenvolvimento Africano que liderem uma iniciativa com apoio da ONU para administrar o que eu chamo de processo de transição".   Tsvangirai admitiu que a melhor maneira de tirar o país da crise seria um acordo negociado com o governo, mas que não seria possível enquanto Mugabe não libertar todos os presos políticos. "Um acordo político negociado, que permita começar um processo de reconciliação nacional, a reconstrução econômica, o fornecimento da assistência humanitária e a democratização, é o melhor para o país, mas não podemos negociar enquanto o governo mantiver detidos os cerca de 2 mil prisioneiros políticos", afirmou.   Em artigo no jornal The Guardian, Tsvangirai pediu que a retórica dos líderes mundiais diante da grave situação em seu país seja apoiada pela força militar. Tsvangirai ressalta que a ONU deve isolar o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e para isso a população zimbabuana precisa da proteção de uma força de paz contra o atual sofrimento.   Tsvangirai anunciou a sua retirada da disputa no domingo, dizendo que não há sentido em concorrer em eleições que não serão livres e justas e que "o resultado já está determinado" pelo seu adversário, o presidente Robert Mugabe.   Segundo a BBC, apesar dos apelos da comunidade internacional e das Nações Unidas para suspender o segundo turno, Robert Mugabe disse que as eleições serão realizadas na sexta-feira como planejado. "Eles podem gritar tão alto quanto quiserem de Washington ou de Londres. Somente o nosso povo poderá decidir e mais ninguém", disse Mugabe durante um comício na terça-feira. O presidente ainda afirmou que Tsvangirai abandonou a disputa pela presidência porque ficou com medo da derrota ao ver o "furacão político" vindo em sua direção.   Matéria atualizada às 12h35.

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