Fidel abre sessão parlamentar para consagrar socialismo

Em um país semiparalisado por dois dias de feriado declarado pelo governo, o presidente Fidel Castro abriu, nesta segunda-feira, uma sessão extraordinária do Parlamento que visa consagrar como "intocável" o regime socialista, através de uma alteração na Constituição.Os discursos em favor da reforma se sucederam hoje na presença de Fidel, de seu irmão, o general Raúl Castro, ministro da Defesa, e de membros do gabinete, em uma sessão que se prolongou por toda a tarde e deverá recomeçar amanhã. A aprovação da reforma constitucional é dada como certa na Assembléia Nacional, o Parlamento unicameral cubano, onde não existe oposição. Entre seus mais de 600 membros estão os irmãos Castro e dirigentes do Partido Comunista de Cuba (PCC). CriseO feriado - anunciado no sábado pelo governo, sob a alegação de que isso facilitaria que os cubanos acompanhassem as sessões pela televisão - ocorre em meio a uma das mais graves conjunturas econômicas vividas pela ilha. Além da queda no turismo, que é a principal fonte de divisas, e dos preços internacionais dos produtos de exportação como o açúcar, há também a elevação das importações do petróleo. Diante dessas dificuldades, o governo promove uma intensa campanha, que se iniciou em 10 de junho, quando organizações de massa associadas ao Partido Comunista apresentaram a proposta de reforma. Nos dias consecutivos, organizaram-se marchas das quais participaram milhares de pessoas e uma coleta de abaixo-assinados de um extremo ao outro da ilha. Em quatro dias, que culminaram em 18 de junho, foram recolhidas 8,1 milhão de assinaturas - correspondentes a 99,25% dos cubanos registrados - para apoiar a modificação da Carta Magna de 1976. O governo nega que a campanha seja uma resposta a uma iniciativa opositora de recolher assinaturas para convocar um referendo sobre maiores liberdades na ilha e insiste que se trata de uma resposta aos pedidos do presidente dos EUA, George W. Bush, para que se realizem eleições livres. Com seu apelo, Bush faz "um insensato convite (a Cuba) ao retrocesso", disse o deputado e ex-ministro da Economia, Oswaldo Martínez. "Bush, o pequeno, não terá mais espaço na memória do que o de ter sido o décimo presidente (dos EUA)... que se empenha em destruir a revolução", acrescentou o legislador, um dos vinte que descarregou pungentes críticas contra o mandatário americano e o sistema eleitoral dos EUA, ao qual contrapuseram o sistema socialista da ilha. "Socialismo é a independência plena. A oligarquia imperialista é inimiga jurada do nosso povo", disse o deputado e comandante da revolução, Ramiro Valdez.

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