Jose Goitia|The New York Times
Jose Goitia|The New York Times

Fidel Castro conta com duas menções no Guinness, o livro dos recordes

Líder da Revolução Cubana fez o discurso mais longo na Assembleia-Geral das Nações Unidas, de 4 horas e 29 minutos, e foi a pessoa que sofreu mais tentativas de assassinato

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2016 | 14h33

HAVANA - O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, morto na noite de sexta-feira aos 90 anos, foi um recordista de discursos longos, alguns de até sete horas. Ao contrário de outros líderes, ele não deixou grandes obras escritas, apesar de no final de sua vida ter virado editorialista na imprensa cubana. Fidel também entrou para o livro dos recordes por ser "a pessoa que mais vezes foi alvo de tentativas de assassinato".

Famoso por ter o dom da palavra, apesar de não possuir uma voz potente, ele pronunciou ao longo de sua vida política inúmeros discursos, principalmente de improviso, diante multidões de milhares de pessoas. Os cubanos, habituados a essa dinâmica há mais de 50 anos, não sentiram tanta falta da verborragia de Fidel, e muitos se sentiram aliviados quando ele ficou doente, em 2006, e cedeu o comando a seu irmão Raúl.

Dotado de uma memória privilegiada, em seus quilométricos discursos Fidel falava tanto dos problemas mundiais mais importantes como das colheitas de arroz na China, passando pela história de Cuba e desferindo ataques a seu eterno inimigo, os EUA.

A população se acostumou a ouvir suas intervenções enquanto fazia outras coisas. Em muitas ocasiões, a novela da noite (geralmente brasileira), sagrada para os cubanos, teve de ser atrasada ou cancelada porque “El Comandante” não parava de falar.

Em sua defesa no julgamento pelo ataque ao Quartel Moncada, em 1953, no famoso discurso em que disse a frase "A história me absolverá", Fidel mostrou como tinha consciência do poder das palavras.

Alguns dias depois do triunfo da revolução, em janeiro de 1959, o líder falou sem parar por 7 horas na televisão. Em 26 de setembro de 1960, pronunciou um discurso de 4 horas e 29 minutos em sua primeira aparição na Assembleia-Geral das Nações Unidas e foi parar no livro dos recordes, o Guinness.

Ao contrário de seu irmão Raúl, Fidel fazia poucos discursos lidos e, quando o fazia, sempre deixava o texto de lado para reforçar ou explicar alguma ideia, pulando de um tema para outro, para depois retomar o fio da meada. Terminava sempre com seu famoso "Pátria ou morte, venceremos!". Mesmo já idoso, Fidel continuava falando interminavelmente, como aconteceu em 17 de novembro de 2005, quando ficou de pé por seis horas no estrado da aula magna da Universidade de Havana.

Depois de ficar gravemente doente, em 2006, deixou os microfones de lado. Amante das letras e jornalista frustrado, ele estreou, em março de 2007, como escritor de artigos na imprensa estatal, chegando a publicar mais de 400 textos sob o título "Reflexões do Companheiro Fidel".

Assassinato. Fidel Castro também entrou para o Guinness por ser "a pessoa que mais vezes foi alvo de tentativas de assassinato", em 638 ocasiões, segundo um portal oficial cubano.

"O líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, é a pessoa que mais vezes foi alvo de tentativas de assassinato, segundo registrou o livro dos recordes, o Guinness, e certamente os arquivos da CIA dos EUA, principal promotora dessas tentativas de homicídio", informou o site Cubadebate.

Veja abaixo: O adeus de Fidel

O portal informa que até 2006, quando Fidel entregou o comando do governo a Raúl, "somavam 638 as tentativas de assassinato contra ele, promovidas quase todas pela CIA". "Os métodos adotados para matá-lo eram diversos, apesar de todos terem fracassado: desde franco-atiradores, explosivos colocados em seus sapatos, veneno injetado em um charuto, até uma pequena carga explosiva dentro de uma bola de baseball, entre outras variantes", completou.

O Cubadebate disse ainda que "desde o momento que liderou a triunfante Revolução Cubana em 1959 começaram a planejar" seu assassinato, e "entre os mais interessados" em eliminá-lo "estavam as agências americanas de espionagem e subversão".

O Guinness World Records é um livro publicado anualmente com uma coleção de recordes mundiais, e está entre os mais vendidos do mundo junto com a Bíblia. / AFP

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