Fidel Castro delega poder a seu irmão para ser operado

Em um feito inédito, o presidente cubano, Fidel Castro, delegou nesta segunda-feira em caráter provisório os cargos de primeiro secretário do Partido Comunista, de presidente do Conselho de Estado e comandante das Forças Armadas cubanas a seu irmão Raúl Castro, o segundo homem do regime. O motivo da licença é uma crise intestinal que requer intervenção cirúrgica. Segundo um comunicado transmitido pela televisão local, Fidel, de 79 anos, sofreu uma crise intestinal com sangramento e teve de ser submetido a uma complicada operação cirúrgica.Ainda de acordo com o comunicado, que teria sido elaborado pelo próprio líder cubano e lido pelo seu chefe de gabinete, Carlos Valenciaga, a crise decorre do "enorme esforço" realizado por Fidel durante sua recente visita a Argentina para participar da Cúpula do Mercosul. O comunicado cita ainda a também recente participação de Fidel nas comemorações do aniversário do assalto ao quartel Moncada, um dos ícones da Revolução Cubana, durante sua volta a Havana.A operação, continua o texto, "me obriga permanecer várias semanas de repouso e afastado de minhas responsabilidades e cargos".Os outros cargos ocupados por Fidel foram delegados a outrosmembros do Governo e do birô político do Partido Comunista.A área de Saúde ficará a cargo, provisoriamente, do ministro José Ramón Balaguer. Já a Educação será assumida por Ramón Machado Ventura e Esteban Lazo Hernández, todos eles membros do birô político do Partido Comunista.O vice-presidente, Carlos Lage, se ocupará da política energética e supervisionará os fundos para os programas de saúde, educação e energia, considerados prioritários pelo Governo, junto com Francisco Soberón, presidente do Banco de Cuba, e o chanceler Felipe Pérez Roque.Assim, pela primeira vez na história da Revolução Cubana - ou desde 1959 - Castro delega suas funções como primeiro secretário do Partido Comunista, presidente do Conselho de Estado e comandante das Forças Armadas cubanas a seu irmão Raúl, seu sucessor segundo a Constituição cubana. Castro é o segundo líder mundial que está mais tempo no poder, ficando atrás somente da rainha Elizabeth, coroada em 1952. O governante cubano decidiu adiar para 2 de dezembro, quando será comemorado o 50º aniversário do início da luta armada revolucionária, as celebrações de seus 80 anos, que serão completados no dia 13 de agosto. No entanto, Fidel manteve a convocação da Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados, prevista para setembro em Havana. LongevidadeHá exatos cinco dias, o presidente cubano afirmou que não pretende ficar no cargo até completar os cem anos de idade. A alegação foi feita durante pronunciamento feito em solenidade para lembrar os 53 anos do ataque ao quartel de Moncada, quando Fidel chefiou sua primeira ação armada contra o governo do general Fulgencio Batista.O líder cubano fez uma brincadeira sobre sua idade durante um discurso de duas horas e meia. "Que os vizinhos do norte não se preocupem, não pretendo exercer o meu cargo até os cem anos", afirmou.Durante a cúpula alternativa ao Mercosul ou, a "cúpula dos povos", realizada no dia 22 de julho, Fidel, em uma conversa com jornalistas venezuelanos, também ironizou as notícias que aparecem indicando uma grave deterioração de sua saúde: "Eu estou morrendo quase todos os dias". Segundo ele, "de verdade, sinto-me muito bem". Fidel, que fará 80 anos no dia 13 de agosto, afirmou que terá "um décimo da idade de Matusalém". No entanto, afirmou que se sente calmo em relação à morte: "Se você trabalhou todos os dias de sua vida, pode estar sereno". Fazendo uma análise dos 47 anos da Revolução Cubana, disparou, como se fizesse um desafio: "Não há forma de destruir a revolução".Matéria atualizada às 23h55

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