Fidel Castro se recupera de "picada de inseto" na perna

O presidente cubano, Fidel Castro, que desde a semana passada está de repouso devido a um ferimento na perna esquerda, jurou que "nunca mais" coçará uma picada de inseto. O machucado, que acabou virando um princípio de linfagite (infecção dos gânglios linfáticos), tirou o comandante de cena por quase uma semana e fizeram circular em Cuba e no exterior rumores sobre sua saúde - cujo estado é guardado como segredo de Estado pelas autoridades. Em uma carta destinada a seus compatriotas, publicada hoje na capa dos principais jornais locais, o Granma e o Juventud Rebelde, Castro explica em detalhe os motivos que o têm mantido afastado de sua habitual atividade diária durante os últimos dias. Assegura, entretanto, que "ninguém deve pensar que perdi tempo". Ele prometeu que "nunca mais voltarei a coçar uma picada". Fidel assegura que "estou bem, queridos compatriotas, e me sinto mais otimista que nunca sobre o futuro da Revolução". No sábado passado, o líder da revolução cubana, de 76 anos, faltou pela primeira vez em 25 anos a uma sessão do Parlamento, e explicou em uma mensagem assinada por ele que se devia "a uma lesão acidental na perna esquerda com inflamação". O governante disse então que "a tirania médica" tinha imposto "o terrível castigo de um repouso de três ou quatro dias". Na Crônica de um Repouso, como foi intitulada a mensagem, ele classifica de "ridículo e inoportuno" o fato que o tirou de circulação. Fidel lembra que no último dia 16 descobriu durante a noite certo mal-estar na parte externa de sua perna esquerda, "mais ou menos na área entre o joelho e o tornozelo". "Aparentemente alguma formiga, mosquito ou qualquer outro inseto tinha me picado nesse ponto", o que inconscientemente o obrigou a coçar, causando a lesão cutânea. O líder cubano diz que o problema inicialmente foi classificado como infecção das células. "Tinha que evitar sua evolução para uma infecção dos gânglios linfáticos", recordou-se. "O repouso era o único tratamento... Não tive mais remédio que resignar-me. Era um dever proteger minha querida perna esquerda", declarou. O líder cubano causou comoção em Cuba em junho de 2001 quando desmaiou durante um discurso em público de baixo de um forte sol. Reapareceu minutos depois de excelente humor e zombou de quem disse que ele tinha morrido. Esse incidente sem importância, entretanto, desencadeou o debate sobre a sucessão do carismático líder, que afirmou que a continuidade da Revolução estava garantida por seu irmão Raul Castro, ministro das Forças Armadas e seu sucessor, e pela nova geração de jovens revolucionários. Apesar de depois do desmaio os médicos terem lhe aconselhado a reduzir o ritmo de trabalho, Fidel continua com sua apertada agenda participando de vários atos públicos e mantendo reuniões até altas horas da madrugada.

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