Fidel, Chávez e Morales avançam em alternativa frente aos EUA

O presidente boliviano, Evo Morales, chegou nesta sexta-feira a Havana para avançar com Cuba e Venezuela no processo de integração regional impulsionado pelo venezuelano Hugo Chávez como alternativa ao modelo defendido pelos Estados Unidos. Morales foi recebido pelo presidente cubano, Fidel Castro, no aeroporto de Havana, onde se espera a chegada do governante venezuelano nas próximas horas para participar da "mini-cúpula" no sábado, na qual será assinado um acordo para iniciar o Tratado de Comércio dos Povos (TCP). O TCP, impulsionado por Morales, inscreve-se na Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), assinada em maio do ano passado por Fidel e Chávez como alternativa à Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) proposta pelos Estados Unidos. Pouco se sabe até agora do conteúdo do TCP que será assinado no sábado pelos três presidentes e que já provocou duras críticas entre os detratores de Morales na Bolívia e foi questionado por outros Governos da região, como o peruano. Antes de viajar para Havana, Morales anunciou que o acordo permitirá o comércio de algumas mercadorias, entre elas a folha de coca e a soja, com tarifa zero, embora ainda não tenha sido divulgada a lista de produtos incluídos no convênio nem a data de entrada em vigor do Tratado. Encontro histórico Em declarações à agência estatal cubana Prensa Latina, Evo Morales afirmou que será "um encontro histórico de três gerações" que lutam pelas mudanças na região e fortalecerá "o chamado eixo do mal", em alusão às críticas dos EUA contra os três governantes. A iniciativa, segundo analistas e observadores ocidentais, tem uma grande carga política devido à atual conjuntura da região e o conflito aberto pelo anúncio de Chávez de retirar a Venezuela da Comunidade Andina (CAN) em protesto pela negociação do Peru e Colômbia de Tratados de Livre-Comércio com os Estados Unidos. A "mini-cúpula" de Havana acontece apenas uma semana depois que Morales pediu aos presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e Peru, Alejandro Toledo, que suspendessem os Tratados de livre-comércio negociados com Washington e solicitasse a Chávez que reconsiderasse a decisão de abandonar a CAN. Após sua chegada a Cuba, Chávez poderá informar a Morales e a Fidel os resultados de sua reunião com os governantes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e Argentina, Néstor Kirchner, com quem analisou esta semana sua proposta de "reformular" o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai), bloco ao qual a Venezuela está em processo de incorporação como membro pleno. Às vésperas de sua visita a Havana, o governante venezuelano anunciou que o encontro permitirá "continuar avançando na integração humanista" da Alba, diante da "morte da imperialista Alca". A reunião coincide, além disso, com o primeiro aniversário da assinatura, por Chávez e Fidel, de cerca de cinqüenta acordos para consolidar o processo de integração no contexto da Alba. Entre outros pontos, os acordos permitiram a isenção do pagamento de tarifas e impostos a produtos venezuelanos adquiridos no marco da Alba, enquanto a Venezuela concedeu preferências tarifárias a 104 produtos cubanos. A Venezuela fornece a Cuba mais de 90 mil barris diários de petróleo a preços preferenciais que a ilha retribui com serviços médicos, educativos e esportivos. O comércio bilateral superou no ano passado US$ 2,3 bilhões, dos quais US$ 1,5 bilhão corresponde à fatura energética. Além disso,a Venezuela anunciou recentemente um investimento superior a US$ 1 bilhão para a reativação da refinaria cubana de Cienfuegos.

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