Fidel escreve, afasta rumores e elogia Obama

Depois de 5 semanas em silêncio, líder fala sobre transição nos EUA

Reuters e Efe, Havana, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

O ex-presidente cubano Fidel Castro rompeu ontem o silêncio que já durava cinco semanas para elogiar o presidente dos EUA, Barack Obama, e dizer que, "apesar de suas nobres intenções, ainda ficavam muitas questões por responder" depois de seu discurso de posse.A ausência dos tradicionais artigos de Fidel, de 82 anos, no jornal oficial Granma vinha alimentando especulações de que, após submeter-se a uma cirurgia por problemas intestinais em agosto de 2006, estaria com a saúde tão debilitada a ponto de ter de deixar de escrever.O texto de ontem não só afastou os boatos como revelou que o ímpeto do líder cubano de enfrentar os EUA continua o mesmo desde que ele chegou ao poder, há cinco décadas.Fidel, fez questão de dizer que Obama é o "11º presidente desde 1º de janeiro de 1959", data da Revolução Cubana, em vez de referir-se a ele como o 44º presidente americano. "Apesar do imenso poder desse país (os EUA) nenhum deles (os 11 presidentes) conseguiu destruir a Revolução Cubana", disse.O ex-presidente cubano também levantou dúvidas sobre a capacidade de Obama de cumprir metas ambientais. "Como poderia um sistema esbanjador e consumista por excelência preservar o meio ambiente?", perguntou.Em outro artigo divulgado em um site oficial, Fidel assegurou que está bem, mas pediu ao governo que não mude o rumo de suas decisões por causa de sua eventual morte. O líder cubano também disse duvidar de que dentro de quatro anos ainda esteja lúcido e conserve a capacidade de estar atento às notícias e acontecimentos mundiais como até agora. As últimas imagens de Fidel são de 18 de novembro, quando ele recebeu o presidente chinês, Hu Jintao, em Havana.Na quarta-feira, Fidel recebeu a presidente argentina, Cristina Kirchner, mas não foram divulgadas imagens do encontro. Segundo Cristina, Fidel "teve palavras muito positivas para com o presidente Obama. Disse que (Obama) não só tinha uma história muito boa como líder político, mas também era um homem absolutamente sincero".Na terça-feira, o presidente cubano, Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel, disse a jornalistas que Obama "parece um bom homem". Raúl desejou que o novo presidente americano "tenha sorte".

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