AP Photo/ Evan Vucci
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Fidel foi um 'ditador brutal' que oprimiu seu povo, diz Trump

Em comunicado divulgado neste sábado, presidente eleito dos EUA afirmou que legado do líder da Revolução Cubana é o dos 'pelotões de fuzilamento, roubo, sofrimento, pobreza e negação de direitos humanos'

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2016 | 16h45

WASHINGTON - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, referiu-se neste sábado, 26, a Fidel Castro como "um ditador brutal que oprimiu seu povo por seis décadas", em reação à morte do líder cubano na véspera.

"Embora as tragédias, as mortes e a dor provocadas por Fidel Castro não possam ser apagadas, nossa administração fará tudo o possível para assegurar que os cubanos possam finalmente começar seu caminho rumo à prosperidade e à liberdade que tanto merece", declarou Trump em um comunicado.

Fiel à retórica usada em sua campanha eleitoral, Trump destacou que "o legado de Fidel Castro é o dos pelotões de fuzilamento, roubo, sofrimento inimaginável, pobreza e a negação aos direitos humanos fundamentais".  Mais cedo, o presidente eleito já havia se manifestado sobre o morte do líder da Revolução Cubana com uma breve frase postada na rede social Twitter: "Fidel Castro está morto!".

Trump está em período de repouso nos últimos dias em razão das comemorações de Ação de Graças em seu hotel Mar-a-Lago, na cidade de Palm Beach, na Flórida. Durante a campanha eleitoral, o republicano prometeu "dar marcha à ré" às "concessões" a Cuba, mas muitos especialistas consideram improvável que freie de repente o degelo iniciado pelo atual presidente americano, Barack Obama. No comunicado divulgado neste sábado, ele não fez qualquer menção a suas ameaças.

Já o vice-presidente eleito, Mike Pence, afirmou que uma "nova esperança nasce" para Cuba depois da morte de Fidel. "O tirano Castro está morto. Nova esperança nasce. Apoiamos o oprimido povo cubano que busca uma Cuba livre e democrática. Viva Cuba Libre", escreveu Pence no Twitter.

Controvertido. Nas primárias, Trump foi o único pré-candidato republicano que apoiou a abertura a Cuba, mas em sua busca de votos na Flórida nas eleições gerais prometeu que "revogaria" as medidas executivas de Obama "a não ser que o regime dos Castro" restaurasse "as liberdades na ilha".

Mas alguns analistas consideram que o magnata dos hotéis e os cassinos terá que moderar essa postura, devido às pressões que receberá de parte dos empresários americanos que há décadas tentam fazer negócios com Cuba.

Entre eles está o pensador político Noam Chomsky, que recentemente afirmou que as pressões das empresas americanas que querem fazer negócios com o país em áreas como a biotecnologia, o setor farmacêutico, a agroindústria e o turismo podem condicionar as promessas eleitorais de Trump.

A morte de Fidel Castro voltou a colocar em primeiro plano, além disso, a incógnita sobre o embargo econômico a Cuba que os EUA mantiveram durante mais de cinco décadas e cujo situação agora dependerá do futuro governo de Trump. / AFP e EFE

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