Fidel mantém silêncio uma semana após anúncio

Fidel mantém silêncio uma semana após anúncio

A ausência de comentários do líder revolucionário sobre o fim da hostilidade entre Cuba e EUA chama atenção; resolução da OEA apoia movimento

HAVANA, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2014 | 02h00

Uma semana depois de EUA e Cuba anunciarem a histórica retomada das relações bilaterais, o líder da revolução cubana, Fidel Castro, se mantém em silêncio. A ausência de um comentário do ex-presidente, de 88 anos, contrasta com a onda de reações internacionais desencadeadas pelo anúncio de Havana e Washington.

Na segunda-feira, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou, por aclamação, uma resolução de apoio ao restabelecimento das relações entre Cuba e EUA. Em 2009, a organização revogou a resolução que suspendeu Cuba da entidade, em 1962. O texto da resolução de segunda-feira, porém, foi aprovado sob divergência de países como Bolívia, Equador e Venezuela. Eles queriam incluir uma menção ao embargo econômico no documento, o que não foi aceito pelos demais.

Após horas de debate público e a portas fechadas, os Estados aprovaram uma fórmula que não menciona o bloqueio à ilha, mas comemora a histórica aproximação entre Washington e Havana. O levantamento do embargo precisará passar pelo Congresso americano.

A nova fase entre Cuba e EUA só não foi comentada até agora por Fidel. Da mesma forma, chama a atenção o silêncio do líder sobre a libertação dos "Cinco" - cubanos presos nos EUA acusados de espionagem.

A libertação deles, em troca da soltura do americano Alan Gross, preso em Cuba, também acusado de espionagem, fez parte do acordo anunciado por Raúl Castro e Barack Obama.

Os pedidos de libertação do grupo foram uma das principais bandeiras de Fidel desde a prisão, há 16 anos. Em todos os últimos importantes acontecimentos na ilha, na região e mesmo internacionais, o líder havia se pronunciado.

A última vez em que a imprensa oficial cubana publicou uma mensagem de Fidel foi no dia 18 de outubro, quando ele afirmou que Cuba se oferecia para colaborar com os EUA nos esforços para combater o Ebola na África. / EFE

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