Fidel questiona se Obama pedirá desculpas ao Chile

O ex-presidente cubano Fidel Castro questionou em artigo publicado hoje se o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estaria disposto a apresentar um pedido de desculpas ao Chile, durante sua visita ao país sul-americano, pelo apoio de Washington ao golpe de Estado de 1973.

AE, Agência Estado

21 de março de 2011 | 16h26

No artigo publicado hoje na mídia estatal cubana, Fidel abordou uma recente entrevista concedida por Obama ao jornal chileno El Mercurio na qual este fala sobre sua intenção de relançar as relações com os vizinhos do sul.

"Restaria apenas fazer uma pergunta a Obama. Levando-se em conta que um de seus ilustres predecessores, Richard Nixon (1968-1974), promoveu o golpe de Estado e a morte heroica de Salvador Allende, as torturas e o assassinato de milhares de pessoas, pedirá o senhor Obama desculpas ao povo chileno?", questionou Fidel.

Obama chegou ao Chile hoje, depois de passar pelo Brasil. Ele se reuniria com seu homólogo chileno, Sebastián Piñera, no Palácio de La Moneda, atacado em 1973 durante o golpe militar alentado pela agência de inteligência norte-americana (CIA) e depois do qual assumiu o poder o general Augusto Pinochet, que liderou uma sangrenta ditadura até 1990.

Uma comissão do Senado dos EUA concluiu em 1975 que Nixon e seu secretário de Estado, Henry Kissinger, destinaram milhões de dólares para desestabilizar a economia do governo de Allende e conspirar com oficiais do exército para derrubá-lo.

Obama no Brasil

Sobre a passagem de Obama pelo Brasil, Fidel Castro escreveu: "Obama quis congraçar-se com o gigante sul-americano. Falou da ''extraordinária ascensão do Brasil'', que chamou a atenção internacional, e elogiou sua economia como uma das de mais rápido crescimento no mundo, mas não se comprometeu nem mesmo com um mínimo apoio ao Brasil como membro permanente do privilegiado Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil ficaram evidentes as contradições de interesse entre os Estados Unidos e este país irmão". As informações são da Associated Press.

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