Fidel rejeita relatório dos EUA sobre terrorismo

O líder cubano Fidel Castro rejeitou hoje o relatório anual sobre terrorismo elaborado pelo Departamento de Estado americano e insistiu em pedir explicações a Washington sobre o anticastrista acusado de terrorismo Luis Posada Carriles. Em seu relatório sobre terrorismo correspondente a 2005, divulgado na sexta-feira, o Departamento de Estado acusou Cuba de se opor à coalizão liderada pelos EUA para combater o terrorismo e colocou a ilha entre os países que o patrocinam, junto com o Irã, Coréia do Norte, Síria, Sudão e Líbia. Além disso, o Departamento de Estado mencionou a possível existência de um programa de armas biológicas em Cuba, embora não tenha dado provas. Fidel Castro rejeitou o conteúdo do documento e voltou a acusar o Governo dos EUA de proteger o ativista anticastrista Posada Carriles, acusado por Havana de múltiplos atos terroristas, entre eles a explosão de um avião da empresa Cubana de Aviação, no qual morreram 73 pessoas em 1976. "Para nós é uma honra ser amigos da Coréia do Norte (...) e do Irã", disse Fidel em seu discurso durante um grande ato realizado em Havana para encerrar a Cúpula Trilateral, da qual participaram os governantes da Venezuela, Hugo Chávez, e Bolívia, Evo Morales. "Esse povo do Irã é um povo verdadeiramente heróico, e se não fossem uns estúpidos ignorantes (os EUA) se dariam conta de que não podem brincar com esse povo", acrescentou Fidel, que lembrou que denunciou em várias ocasiões os "preparativos para desatar uma guerra no Irã com uso de armas nucleares". Fidel se perguntou como o relatório pode acusar Cuba de se opor à luta contra o terrorismo, quando os Estados Unidos "foram cúmplices dos planos terroristas contra Cuba". As autoridades de imigração dos EUA interrogaram esta semana Posada Carriles para estudar seu pedido de conseguir a cidadania americana. Durante a Cúpula Trilateral de Havana, Fidel Castro, Morales e Chávez avançaram em sua aliança antiimperialista com a assinatura de um pacote de acordos de cooperação econômica e política para impulsionar um projeto de integração regional alternativo ao proposto por Washington na Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

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