Filas no necrotério central de Benghazi

Forças de oposição praticamente consolidaram seu controle sobre Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia, mas os relatos de tragédia continuam a se multiplicar. Segundo fontes médicas, a maior parte dos mortos nos combates de rua não foi identificada. "As famílias ainda não encontraram seus parentes", explica o médico Jamil Howedi, no necrotério do principal hospital da cidade.

, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em estado de histeria, chorando compulsivamente, uma garota saiu correndo pelo necrotério, onde uma extensa fileira de corpos parcialmente cobertos por sacos plásticos aguarda identificação. Ela havia acabado de reconhecer seu irmão. A cena se repetia ao longo do dia de ontem, sob o forte odor de putrefação e desinfetante. O centro médico, rebatizado, agora se chama "Hospital dos Mártires".

"Estamos encontrando corpos enterrados nas ruas", explica Howedi. Parte dos cadáveres teria ainda sido queimada por forças do regime que se retiravam da cidade. "Quando as pessoas entraram nas bases do Exército, viram que eles amarraram e queimaram vivos os soldados que haviam se recusado a lutar contra a população."

"Sou uma testemunha desse ato criminoso. No primeiro momento vi 13 corpos - um com uma marca de tiro na nuca, outros com cápsulas de munição alojadas nas costas", relata o médico. Ele diz ter provas de que entre 220 e 250 pessoas assassinadas por forças do regime passaram pelo necrotério que ele supervisiona.

Relatos de moradores revelam que uma batalha de rua por rua tomou conta de Benghazi. Acuadas, forças fiéis a Kadafi recuaram até uma base militar no sul da cidade. A instalação foi cercada por opositores e os militares abriram fogo de dentro da base.

Cerca de seis mil pessoas protestavam ontem no centro de Benghazi. A multidão entoava gritos de "Deus, faça nossos irmãos de Trípoli vitoriosos". / REUTERS

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