Filha de engenheiro morto no Peru diz não acreditar em hipotermia

Brasileiros faziam estudos para construção de hidrelétrica, projeto que enfrenta oposição local.

Maurício Moraes, BBC

28 de julho de 2011 | 15h36

A filha de um dos engenheiros brasileiros encontrados mortos no Peru nesta quarta-feira descarta a versão de que eles tenham morrido por hipotermia.

Para Júlia Torella Guedes, filha de Mário Gramani Guedes, o pai e o colega, Mário Augusto Soares Bittencourt, podem ter sido vítimas de um conflito local envolvendo camponeses.

Os corpos de Guedes e Bittencourt foram encontrados em uma mata próximo à cidade de Bagua Grande, na Amazônia peruana.

Segundo a polícia peruana, os corpos foram encontrados sem sinais de violência, o que faz os investigadores locais trabalharem com a hipótese de morte por hipotermia, causada pelo frio ou pela altitude, de acordo com o Itamaraty.

Júlia Torella Guedes, no entanto, disse à BBC Brasil que a família não acredita nesta versão.

"As duas famílias têm certeza de que eles não morreram por hipotermia. Os dois eram muito experientes e não era a primeira vez que faziam serviço na mata. Além de não serem amadores, não fazia frio, porque a região é perto da linha do Equador. Nem a empresa (Leme Engenharia) acredita", diz.

A Leme Engenharia preferiu não se pronunciar sobre o tema, argumentando que aguarda o resultado das investigações.

Júlia afirma que os dois estavam em uma área de conflito, onde as comunidades locais se opõem à construção da hidrelétrica, para a qual ambos faziam estudos prévios.

"A gente acha que eles foram expostos a uma situação de perigo, que não cabia a eles. Caíram de paraquedas. Não acho que a empresa daqui mandaria dois funcionários antigos para uma área perigosa, mas eles prestavam serviços para uma empresa peruana", diz Júlia.

Imprensa peruana

A imprensa peruana menciona a possível morte por hipotermia, mas também levanta a hipótese de que os dois brasileiros tenham sido vítimas de conflito com camponeses locais, contrários à obra.

Segundo o jornal El Comércio, circulou na região a notícia "de que eles haviam sido assassinados por camponeses". "Nas consultas feitas meses atrás, estes não estavam de acordo com a hidrelétrica", diz o diário.

O site da rádio peruana RPP e o jornal Correo também citam a hipótese de assassinato.

O Itamaraty deslocou um diplomata para acompanhar o caso.

Os corpos dos engenheiros passaram por autópsia, mas os resultados ainda não foram divulgados.

A Leme Engenharia disse que está prestando todo o apoio material e psicológico à família das vítimas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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