REUTERS/Tyrone Siu
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Filha de fundador da Huawei é presa a pedido dos EUA; trégua comercial com China é ameaçada

Bolsas asiáticas fecharam em forte queda com a notícia, que reacende tensões entre Estados Unidos e China

Reuters

06 Dezembro 2018 | 10h14

VANCOUVER/WASHINGTON - A filha do fundador da gigante chinesa de tecnologia Huawei foi detida no Canadá e pode ser extraditada para os Estados Unidos, em um forte golpe às esperanças de amenizar as tensões comerciais entre Pequim e Washington e abalando os mercados financeiros globais.

A chocante prisão de Meng Wanzhou, que também é vice-presidente financeira da Huawei Technologies, lança novas dúvidas sobre a trégua de 90 dias firmada entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping no sábado —o dia em que ela foi detida.

A prisão está relacionada à violação de sanções norte-americanas, disse uma pessoa com conhecimento do assunto. A Reuters não foi capaz de determinar a natureza precisa das violações.

A prisão e qualquer possível sanção contra a segunda maior fabricante de smartphones do mundo pode ter grandes repercussões na cadeia global de fornecimento de tecnologia. As ações de fornecedoras asiáticas da Huawei, que incluem a Qualcomm e a Intel, caíram nesta quinta-feira.

Meng, uma das vice-presidentes do conselho da companhia e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, foi presa no dia 1º de dezembro a pedido de autoridades norte-americanas e deve comparecer a audiência na sexta-feira, afirmou porta-voz do Departamento de Justiça canadense.

Também no dia 1º de dezembro, Trump e Xi jantaram na Argentina durante cúpula do G20.

Fontes disseram à Reuters em abril que autoridades norte-americanas estavam investigando a Huawei, a maior fabricante de equipamentos de telecomunicação do mundo, desde o final de 2016 por supostamente enviar produtos de origem norte-americana ao Irã e outros países, em violação a leis de exportação e sanções dos EUA.

A Huawei confirmou a prisão em um comunicado e disse que recebeu poucas informações sobre as acusações, acrescentando que “não tem conhecimento de qualquer irregularidade da Sra. Meng”.

Notícia derruba bolsas asiáticas

Com a divulgação da notícia na noite desta quarta-feira, as empresas de tecnologia das bolsas asiáticas fecharam em forte queda. A Samsung caiu 2,29% na bolsa sul-coreana, enquanto a Sunny Optical, que fabrica parte das lentes utilizadas em celulares da Huawei, sofreu queda de 5,5% em Hong Kong. Já a Chinasoft International, que tem uma joint venture com a Huawei, despencou 11,7%, também no mercado de Hong Kong.

Na China, as perdas das bolsas se ampliaram nos negócios da tarde e o índice Xangai Composto terminou o pregão em baixa de 1,68%, a 2.605,18 pontos. O menos abrangente Shenzhen Composto, que conta com várias empresas de telecomunicações, teve queda ainda mais acentuada, de 2,17%, a 1.350,75 pontos.

Depois de interromper o fornecimento de liquidez por cerca de um mês, o banco central chinês (PBoC) fez hoje uma injeção de 187,5 bilhões de yuans - equivalente a US$ 27,4 bilhões - no sistema bancário do país por meio de sua linha de crédito de médio prazo.

Em Tóquio, o Nikkei caiu 1,91%, a 21.501,62 pontos, também pressionado pela valorização do iene frente ao dólar durante a madrugada. No setor de tecnologia e telecomunicações do Japão, destacaram-se negativamente TDK (-6,6%), Murata (-5,2%) e SoftBank (-5%).

Em outras partes da região asiática, o Hang Seng recuou 2,47% em Hong Kong, a 26.156,38 pontos, o sul-coreano Kospi caiu 1,55% em Seul, a 2.068,69 pontos, e o Taiex registrou queda de 2,34% em Taiwan, a 9.684,72 pontos, com algumas empresas de tecnologia locais atingindo o limite de desvalorização diário de 10%.

Na Oceania, a bolsa australiana teve desempenho relativamente melhor diante das perdas na Ásia. O índice S&P/ASX 200 caiu 0,19% em Sydney, a 5.657,70 pontos. /COM SERGIO CALDAS

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