Filha de Mussolini diz que sua mãe também teve um amante

A mulher do ex-ditador italiano Benito Mussolini, Donna Rachele, tinha um amante, segundo afirmou sua própria filha, Edda Ciano Mussolini, em uma longa e inédita entrevista feita por um diretor de televisão velho amigo de Edda, Domenico Olivieri. A entrevista será transmitida postumamente na próxima segunda-feira pela tevê oficial italiana. Edda Ciano, a filha preferida do "Duce", revela pouco sobre a identidade do amante que Donna Rachelle teria tido em meados dos ano 20, para vingar-se das infidelidades do marido. O que se sabe apenas é que era o cunhado do chefe de estação de Emilia Romagna.Nicola Caracciolo, o apresentador do programa, diz que no vídeo - um resumo em 50 minutos de 10 horas de filmagem - Edda revela a Olivieri "coisas que nunca disse a ninguém, com uma sinceridade às vezes até incômoda". Através desse relato, acrescenta Caracciolo, "nos damos conta de como vivia e quais eram as relações humanas na família Mussolini". No programa, o vídeo será apresentado legendado para tornar o relato mais compreensível porque Edda, por excesso de emoção, às vezes come as palavras. Grande parte da entrevista original será publicada em outubro em forma de livro. Além de falar da difícil relação com sua mãe, Edda Ciano Mussolini confia ao amigo os acontecimentos mais trágicos de sua vida: a valente e inútil luta para salvar a vida de seu marido, Galeazzo Ciano, o grande amor e o rompimento com seu pai e a satisfação por ter conseguido reconciliar as famílias Mussolini e Ciano. Uma das netas do "Duce", Alessandra Mussolini, de 39 anos - deputada pelo partido pós-fascista Aliança Nacional no governo de Silvio Berlusconi - colocou em dúvida a versão apresentada por sua tia e lembrou que Edda odiava sua mãe, a quem acusava de não ter feito nada para salvar seu marido, Galeazzo Ciano. O conde Ciano, personagem poderoso desse período turbulento, ocupou desde muito jovem o cargo de ministro de Propaganda do regime fascista e em 1936 tornou-se ministro de Assuntos Exteriores. Como ministro, ele tentou - sem conseguir - convencer Mussolini a negociar um armistício com os aliados, pelo que foi condenado e fuzilado por traição, em 1944, com 41 anos de idade.

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