Filha de Pinochet volta ao Chile e é presa

A filha mais velha do ex-ditador chileno Augusto Pinochet foi detida neste Sábado no Chile depois de voltar dos Estados Unidos, após tentar sem sucesso se transformar em perseguida política para escapar de um julgamento por evasão tributária e falsificação de documentos. Lucía Pinochet Hiriart, de 64 anos, chegou às 12h30 (13h30 em Brasília) no vôo 622 de Lan Chile após uma longa viagem que começou na noite de sexta-feira em Washington e que terminou no aeroporto de Santiago, onde foi notificada de sua detenção.Lucía Pinochet tinha viajado à Argentina no dia 22 de janeiro, horas antes de o juiz Carlos Cerda, que investiga as milionárias contas de seu pai no exterior, a ter notificado de que estava sendo processada por crimes de evasão tributária e falsificação de passaportes.De Buenos Aires, ela voou para Washington, onde pediu asilo político na última quarta-feira e ficou detida enquanto sua solicitação era resolvida. Na sexta-feira, no entanto, ela decidiu desistir do pedido e voltar ao Chile. Ao chegar, a filha de Pinochet, que parecia cansada, declarou à Televisão Nacional do Chile ser vítima de "perseguição política", que voltou ao país "para dar a cara" e que foi maltratada nos Estados Unidos, onde ficou dois dias detida. Ele ficou Em Arlington (Virginia), foi fichada, usou uniforme de ré, bracelete de segurança e passou a noite em uma prisão em que traficantes de drogas e assaltantes estão reclusos.Ela também insistiu em sua inocência no caso de evasão de impostos de mais de US$ 800 mil pelo qual é acusada pelo juiz Cerda, que tinha ditado ordens de arresto e busca internacional contra ela na última terça-feira. Em uma iniciativa incomum, o magistrado foi neste sábado ao aeroporto e subiu no avião em que a fugitiva chegou. Depois de cumprimentá-la, pediu que descesse para notificá-la da resolução que tinha adotado na segunda-feira contra ela e sua família. Nesse dia, o juiz ordenou o processo de sua mãe, Lucía Hiriart, e três de seus quatro irmãos pelas mesmas acusações, mas todos conseguiram a liberdade provisória mediante pagamento de fiança na terça-feira, em um acordo do juiz que alguns chegaram a classificar como "preferencial".Neste contexto, o pedido de asilo político nos Estados Unidos de Lucía Pinochet causou surpresa no Chile e gerou repúdio das vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). O Governo, no entanto, tentou evitar dar uma conotação política do caso, que remeteu exclusivamente à esfera policial e judicial, embora alguns ministros tenham qualificado o pedido de "insólito e absurdo".Após sua chegada neste sábado, o ministro do Interior, Francisco Vidal, disse que a situação de Lucía Pinochet é matéria de procedimentos judiciais e que o Governo "não tem nada a comentar" sobre a questão. Mas descartou as declarações da filha de Pinochet de que ela e sua família são vítimas de perseguição política. No Chile, "há um devido processo, um Estado democrático e não há perseguição política", disse.Fontes judiciais confirmaram que o juiz Cerda ratificou a Lucía Pinochet que ela ficará em liberdade provisória depois de uma consulta à Corte de Apelações e o pagamento de uma fiança de US$ 5.700. A filha mais velha de Pinochet permanecerá na Escola de Gendarmaria até pelo menos segunda-feira, dia em que o tribunal de alçada revisará a liberdade provisória concedida a ela pelo juiz.Cerca de 20 partidários da família do ex-ditador foram ao local onde Lucía Pinochet está detida. Eles carregavam cartazes com a foto do general e garantiram que o julgamento é ilegal e político.A deputada socialista Isabel Allende, filha do presidente Salvador Allende (1970-63), disse hoje que o mais recomendável era que a filha de Pinochet voltasse ao Chile. De acordo com ela, é "grosseiro" falar de perseguição política neste caso. "O juiz lhe concedeu garantias que outros não têm no Chile. Durante muitos anos, gozaram da impunidade. O que acontece agora é que a Justiça está funcionando", disse a deputada.

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