Mark Wilson/Getty Images/AFP
Mark Wilson/Getty Images/AFP

Filha de Trump cativa os chineses

Ivanka foi objeto de vários artigos na imprensa oficial chinesa depois de aparecer de surpresa na embaixada chinesa em Washington para participar da festa do Ano Novo lunar

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2017 | 13h40

A China ainda olha com suspeitas para os Estados Unidos da era Donald Trump, de quem até agora só recebeu ameaças. Recentemente, no entanto, surgiu um inesperado ponto de encontro: Ivanka, a filha predileta do presidente e talvez sua melhor arma de "soft power" com Pequim.

Embora ainda não se saiba ao certo qual papel ela desempenhará na presidência do pai, as habilidades diplomáticas de Ivanka já foram percebidas na China, um dos países mais criticados por Trump. A filha do presidente foi objeto de vários artigos na imprensa oficial chinesa depois de aparecer de surpresa na embaixada chinesa em Washington para participar da festa do Ano Novo lunar. Na ocasião ela publicou um vídeo de sua filha Arabella, de cinco anos, cantando em mandarim para desejar um próspero Ano do Galo.

Seu gesto foi publicamente elogiado até pelo Ministério das Relações Exteriores chinês e foi visto como uma tentativa de suavizar a dura retórica de seu pai, que voltou a quebrar uma tradição entre Washington e Pequim ao não enviar uma felicitação pessoal nesta data tão significativa.

"Ivanka está tomando uma atitude muito positiva em relação à China e tenta projetar uma imagem amistosa, o que ajudará a diminuir a dureza de Trump", opinou em declarações à Agência Efe Wang Dong, professor de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim.

Outros analistas concordam com ele e destacam o papel que Ivanka pode exercer em uma das relações bilaterais mais importantes do planeta. "Trump é diferente de qualquer outro presidente anterior e também na relação com sua família: valoriza muita sua opinião", destacou Wang.

Apesar de não ostentar nenhum cargo oficial, ao contrário de seu marido, que é assessor na nova Administração, a filha do presidente esteve presente em encontros com líderes mundiais e acompanhou seu pai em atos dos quais habitualmente costuma participar a primeira-dama, razão pela qual alguns analistas salientam que Ivanka poderia ser a face amável de Trump com a China.

"Por um lado, Trump quer exercer pressão sobre a China, mas, por outro, quer manter o contato, porque sua família também tem investimentos no país e precisa manter a relação", ponderou com a Efe Jin Canrong, especialista em relações internacionais da Universidade Renmin de Pequim. Na opinião de Jin, Trump quer separar o plano público do privado e Ivanka pode lhe ajudar a estender pontes sem ter de modificar seu discurso.

Por enquanto, a sociedade chinesa parece ter sido conquistada. O vídeo do Ano Novo chinês de Arabella e os comentários de sua mãe já têm milhões de visualizações, como seu hit anterior, de novembro do ano passado, quando a menina também chamou atenção com uma demonstração de seu nível de mandarim.

"Trata-se de um completo exercício de relações públicas. Trump atua como um magnata do mundo do espetáculo (...) Está se centrando na sociedade chinesa mais que nos próprios líderes chineses, esperando pressioná-los utilizando sua família", considerou Jean-Pierre Cabestan, sinólogo da Universidade Batista de Hong Kong./EFE

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