Filho de Bo Xilai nega rumores sobre Ferrari

Bo Guagua, criticado por levar filha de ex-embaixador dos EUA para jantar em carro de luxo, emite comunicado se defendendo

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h05

Enquanto a capital chinesa ferve em meio a especulações envolvendo a misteriosa morte de um empresário britânico, a queda de um importante político e o futuro do Partido Comunista, uma pergunta tem tirado o sono das classes políticas na China: afinal, ele dirigia uma Ferrari vermelha ou não?

Na terça-feira, Bo Guagua, cujos pais estão no centro de um escândalo de imensas proporções que está agitando o partido, emitiu um comunicado rejeitando as alegações de que teria um carro desse. "Nunca dirigi uma Ferrari", disse Bo Guagua, de 24 anos, num e-mail enviado a The Crimson, jornal publicado pelos estudantes da Universidade Harvard, na qual ele cursa pós-graduação.

O comunicado, que incluía uma defesa de seu histórico acadêmico (muito criticado) e a negação das acusações segundo as quais o ensino dele teria sido financiado por dinheiro sujo, foi a primeira manifestação pública de Bo Guagua desde o início do escândalo.

A mãe dele, Gu Kailai, foi envolvida no assassinato de Neil Heywood, um empresário britânico; o pai, Bo Xilai, é acusado de "graves violações disciplinares" relacionadas ao período em que foi secretário do partido em Chongqing. Segundo analistas, é provável que o casal receba longas sentenças de prisão; a pena capital não está fora de questão.

Por mais que seja apenas uma atração menor, a questão da Ferrari ganhou destaque depois de o jovem Bo ter sido acusado de atrair para o pai atenção indesejada quando este estava ocupado numa cruzada contra a corrupção em Chongqing, ao mesmo tempo destacando o abismo entre ricos e pobres.

As contradições tornaram-se muito evidentes no ano passado depois que se espalhou o rumor de que o jovem Bo, em visita a Pequim, teria chegado numa Ferrari vermelha para levar a filha do embaixador americano para jantar. A escolha do veículo revelou-se infeliz, especialmente depois que começaram a circular na internet fotos do jovem de smoking, aproveitando a boa vida na universidade enquanto o pai pregava o igualitarismo.

As fofocas claramente incomodaram o pai, que fez questão de questionar a veracidade dos comentários no mês passado.

"Mentira pura", disse ele a respeito do caso da Ferrari. "Há pessoas interessadas em sujar meu nome, o nome de minha família e o trabalho realizado em Chongqing." Dias mais tarde, Bo Xilai - que manobrava para obter um lugar no poderosíssimo Comitê Permanente do Politburo - perdeu o cargo.

Mary Anne Huntsman, filha do então embaixador Jon M. Huntsman, não quis esclarecer qual era o modelo do carro. Mas diplomatas americanos insistem que a história da Ferrari é verdadeira.

Com os pais incomunicáveis, a mídia estrangeira tem se concentrado no jovem Bo, especialmente na sua preferência por champanhe, passagens aéreas de primeira classe e o ano inteiro de suspensão em Oxford por causa das notas insuficientes. Também tem sido questionado como o salário anual do pai, estimado em US$ 19 mil, teria pago um ensino que incluiu Harrow, um internato britânico onde Bo passou a adolescência e cujo custo anual chega a US$ 45 mil.

No comunicado, Bo disse que bolsas de estudos e "a generosidade da mãe" - o dinheiro que ela teria poupado enquanto trabalhou como advogada nos anos 90 - teriam pago seu ensino. Em vez de pôr fim à especulação, o comunicado pareceu apenas alimentá-la. / NYT

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