Filho de brasileira se juntou a jihadistas sírios

A possível ofensiva militar do governo dos EUA na Síria é um tormento a mais para a brasileira Rosana Rodrigues, moradora da pequena cidade de Rummen, na Bélgica. Seu filho, Brian De Mulder, de 20 anos, foi aliciado pelo movimento radical islâmico Sharia4Belgium e levado para a Síria em janeiro para lutar com os rebeldes contra a ditadura de Bashar Assad.

VIVIANE VAZ , ESPECIAL PARA O ESTADO , BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2013 | 02h12

"Esse pessoal é pior do que macumba. Eles fazem uma lavagem cerebral nos jovens. Eles são muito fortes", diz Rosana, sobre o grupo salafista que levou seu filho. "Quantos meninos belgas de origem marroquina foram para a Síria? Quantos têm famílias que ficariam felizes se morressem por Alá? Acham que vão encontrar o Paraíso. Deus não me deu um filho para perder desse jeito."

O Ministério de Interior da Bélgica estima que pelo menos 600 europeus tenham sido recrutados pelas forças de oposição na Síria. Destes, entre 80 e 100 combatentes seriam belgas - 9 deles regressaram à Bélgica e suas ligações com movimentos extremistas islâmicos estão sendo investigadas.

Segundo Rosana, os passos de seu filho vinham sendo rastreados desde 2011, quando começou a frequentar a mesquita do clérigo salafista Fouad Belkacem (também chamado de Abu Imran), em Antuérpia, e se converteu ao Islã. A mesquita foi fechada em junho do ano passado e Belkacem, preso.

Em busca de uma explicação sobre a decisão do filho de lutar na Síria, Rosana questiona à polícia se Brian poderia ter sido "vendido" pelo clérigo às forças de oposição a Assad. Segundo ela, o filho teria ficado deprimido após ser dispensado do time de futebol da cidade e foi levado por amigos à mesquita.

Depois, o jovem, que fala português, holandês e francês, estudava contabilidade e fazia estágio numa companhia de seguros de saúde, mudou a rotina e passou a chegar em casa de madrugada. "Aconselhei-me com um psicólogo, que recomendou que eu não o impedisse, pois seria uma moda passageira", lembra Rosana. Não foi.

No dia 23 de janeiro, Brian saiu de casa levando apenas a roupa do corpo - não tinha nem cartão de crédito. Despediu-se da família e nunca mais voltou. A polícia belga confirmou que a conta de e-mail do jovem foi acessada de Damasco antes de ficar inativa e um vídeo de um grupo de combatentes na internet mostrou entre eles um rapaz que poderia ser Brian.

Conhecida pela tolerância e diversidade cultural e um dos portos de entrada de refugiados na Europa, a Bélgica tenta lidar com a ascensão do extremismo islâmico em casa. "Uma cidade como Antuérpia deve ser como um time de futebol: diferentes personalidades e origens, mas todos jogando sob as mesmas regras", diz o prefeito Bart De Wever. Pelo menos 23 moradores deixaram a cidade para lutar na Síria, segundo a prefeitura.

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