Filho de candidata a Nobel condenado a prisão na China

Alimu Ahbudurimu, filho da ativista Rebiya Kadeer, que foi candidata ao Prêmio Nobel da Paz este ano, foi condenado a sete anos de prisão por sonegação fiscal, informou nesta terça-feira a imprensa estatal chinesa. De acordo com grupos de defesa dos direitos humanos, a sentença é uma represália à atuação de Kadeer em defesa do povo uigur, de religião muçulmana. Ahbudurimu foi acusado de sonegar US$ 26.054 em impostos. Entre 2002 e 2004, ele foi representante da companhia comercial Ahkeda, em Urumqi, capital da região autônoma uigur de Xinjiang, no noroeste da China. Segundo fontes judiciais, outro filho de Rebiya, Kahaer, foi julgado culpado de sonegar US$ 312.500 em impostos quando dirigia a empresa Rebiya Building em nome de Alimu, entre 2000 e 2004. Porém, só foi condenado a pagar uma multa. Rebiya Kadeer, exilada nos Estados Unidos, é uma das principais ativistas em favor dos uigures, população originária de Xinjiang, de religião muçulmana, língua turcomana e cultura indo-européia. Principal fonte de petróleo e gás para a China, Xinjiang foi catalogada em 1884 como província pela dinastia Qing. Desde então os uigures lutam pela independência. A organização Human Rights Watch questionou o processo, alegando que os acusados não tiveram a defesa apropriada, e considerou a sentença uma represália pela atuação de Rebiya Kadeer em nome dos uigures. Mãe de 11 filhos, Rebiya Kadeer foi membro da Assembléia Nacional Popular (Legislativo) mas devido à sua oposição à política chinesa de minorias caiu em desgraça. Em 1999, foi detida quando ia se reunir com um grupo de congressistas americanos. Condenada a oito anos de prisão por "revelar segredos de Estado", foi liberada por razões médicas em 2005 após pressões dos EUA. Povo uigur O povo uigur é descendente das tribos mongóis que foram forçadas a se mudar para esta região desértica da Ásia Central, no século IX. Sua língua faz parte da família de línguas turcas - o mesmo ramo dos usbeques, e são fortemente influenciados pela cultura arábica e iraniana. Ao longo de séculos, os chineses procuraram controlar esta região e seu povo, tendo em vista sua localização estratégica, entre quatro grandes civilizações: a russa, a chinesa, a indiana e a iraniana. Para a China, Xinjiang tem representado uma espécie de zona tampão e, mais recentemente, serve para os testes nucleares chineses. Em 1884 chamaram a região de Xinjiang ou "novo domínio".

Agencia Estado,

28 Novembro 2006 | 03h05

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