Filho de Cristina nega ter conta no exterior

Em rara entrevista, Máximo Kirchner diz a uma rádio de Buenos Aires que não viaja para fora do país desde 2002

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2015 | 02h01

Máximo Kirchner, filho da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, surpreendeu ontem o país com uma rara entrevista na qual nega ter contas nos EUA e nas Ilhas Cayman. Ele também divulgou documento escrito rebatendo as acusações publicadas pelo jornal Clarín na véspera.

"Nunca tive nem tenho conta no exterior. A última vez que saí da Argentina foi em 2002", afirmou Máximo ao jornalista kirchnerista Víctor Hugo Morales, em um programa da Radio Continental. Máximo é líder de La Cámpora, o grupo de jovens kirchneristas cujos integrantes têm acumulado poder nos últimos meses de governo de Cristina, que deixa o cargo em dezembro. A eleição é em outubro.

Segundo o Clarín, o filho da presidente seria cotitular de uma conta no banco Felton, de Delaware. Ele foi acusado de mantê-la em conjunto com a ex-ministra da Defesa Nilda Garré, segundo duas fontes e um documento consultado pelo jornal. A conta teria sido aberta em 2005 e chegado a ter US$ 41 milhões, segundo o diário. Haveria outra conta nas Ilhas Cayman com quase US$ 20 milhões, na qual também figurariam tanto Nilda como Máximo.

De acordo com o jornal, a primeira conta foi aberta em outubro de 2005, em Caracas, quatro meses depois que Garré foi nomeada embaixadora na Venezuela. Diante das acusações, que falam de "suspeitas de triangulação de negócios entre a Argentina, Venezuela e Irã", Máximo escreveu que a informação é "planejada" e "falsa", insistindo que não poderia ter havido um erro ou uma consulta errada de fontes pelos autores.

Uma conexão entre os três países foi mencionada pelo promotor Alberto Nisman na denuncia de proteção a iranianos acusados de executar o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994, com 85 mortos. Nisman, encontrado morto com um tiro na cabeça em janeiro em caso em investigação, envolveu na acusação Cristina e integrantes da cúpula do governo.

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