Filho de ex-líder da Libéria pagará US$ 22,4 mi por tortura

Indenização será distribuída entre cinco liberianos que foram torturados durante o governo de Charles Taylor

Efe,

06 de fevereiro de 2010 | 06h02

Um juiz dos EUA ordenou hoje que Charles McArthur Emmanuel, filho do ex-presidente da Libéria, Charles Taylor  (1997-2003), terá que pagar uma indenização de US$ 22,4 milhões a cinco liberianos que foram torturados quando ele dirigia uma unidade antiterrorismo durante o Governo de seu pai.

  

Os liberianos Rufus Kpadeh, Nathaniel Koah, Esther Koah, Mamie Catherine Doris Koah e Anthony Sonkorlay apresentaram um processo contra Emmanuel, conhecido como "Chuckie" Taylor Junior, em um tribunal de Miami, pelos danos físicos e mentais que sofreram.

  

A compensação de Nathaniel superior a US$ 5 milhões, segundo destaca a sentença: "US$ 2,5 milhões pelo sofrimento físico e mental passado, presente e futuro; US$ 50 mil por perder a

propriedade e US$ 2,5 milhões por danos Punitivos".

  

O homem, que era proprietário de uma mina de diamantes e político, foi detido e acusado por soldados, ao comando de Emmanuel, de não colaborar com o Governo.

  

Sua tortura consistiu em ser queimado com pedaços de plástico derretido. Ele foi amarrado a um poste com outro prisioneiro e recebeu 150 chicotadas, apanhou e teve seus pertences roubados.

  

Sua esposa, Esther, também foi torturada, e levou golpes tão fortes no estômago que por muito tempo sofreu com hemorragia interna, além de alucinações e constante dor nas pernas.

  

O juiz lhe concedeu uma indenização de US$ 5 milhões. Sua filha Mamie Catherine, que foi violada por soldados, vai receber o mesmo montante. Nos dois casos, a metade foi por danos físicos e mentais e o restante por danos punitivos.

  

Rufus Kpadeh vai receber US$ 5,526 milhões: US$ 3 milhões por sofrimento físico e mental; US$ 25 mil por despesas médicas e remédios, US$ 1.000 por seus pertences roubados e US$ 2,5 milhões por danos punitivos.

  

Kpadeh foi detido e torturado por se negar a dizer que pertencia a um grupo rebelde, apesar nunca ter se relacionado com a organização. Ele esteve preso por dois meses, e soldados ao comando de Emmanuel colocaram sua cabeça em um recipiente que continha água com fezes humanas, cortaram a pele ao redor de seu pênis e, logo a seguir, o obrigaram a violar outros prisioneiros.

  

Ele também foi violentado, queimado com cigarros nas nádegas e forçado a beber sua urina, segundo o documento do processo.

  

Anthony Sonkorlay receberá US$ 1,8 milhões, dos quais 750 mil são por danos físicos e mentais e

aproximadamente um milhão por danos punitivos.

 

O homem foi detido e acusado erradamente de ter conexão com o negócio de diamantes e também sofreu torturas.

  

Emmanuel, que é americano, viveu no estado da Flórida até a década de 90, quando se mudou para a Libéria para dirigir a unidade Antiterrorismo.

  

Em outubro de 2008, um júri americano o declarou culpado de aplicar torturas a opositores enquanto seu pai esteve no Governo (1997-2003), e uma juíza o condenou a 97 anos de prisão.

 

O acusado foi julgado a partir de uma legislação que penaliza a tortura e permite que tribunais dos EUA avaliem casos relacionados com esse tipo de crime fora de suas fronteiras, caso o acusado seja americano.

  

Taylor nasceu na cidade de Boston e foi criado em Orlando, na Flórida.

 

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