Filho de Kadafi garante que rebeldes estão às ordens da França

Segundo Seif al Islam, Conselho Nacional de Transição foi criado e apoiado por franceses

Efe

11 de julho de 2011 | 09h35

ARGEL - Um dos filhos do líder líbio Muamar Kadafi acusou a França de exercer um controle absoluto sobre as forças rebeldes líbias e de bloquear qualquer diálogo que não conte com seu consentimento.

 

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Em entrevista publicada nesta segunda-feira, 11, pelo jornal argelino "Al Jabar", o segundo filho de Kadafi, Seif al Islam, assegurou que o presidente francês Nicolas Sarkozy disse a um enviado líbio que o Conselho Nacional de Transição (CNT) foi criado e apoiado pela França e que qualquer negociação será feita com Paris e não com os "grupos de Benghazi", principal reduto dos rebeldes.

 

 

O filho do líder líbio indicou que o regime tinha entrado em contato com representantes dos rebeldes no Cairo, mas que a França os bloqueou porque, segundo ele, tinham sido feitos sem seu conhecimento. No entanto, não ofereceu mais detalhes sobre as supostas conversas.

 

Na entrevista, na qual Seif al Islam se posicionou contra a França, também se queixou que Paris quer formar um Governo transitório que aceite a compra de aviões de combate Rafale, assim como contratos com a empresa petrolífera Total.

 

Também insistiu que França não só tinha entregado armas aos rebeldes nas montanhas do oeste do país, mas tinha enviado forças especiais no terreno para coordenar ditos envios e para ensinar os rebeldes a conduzir o novo armamento.

 

No entanto, reconheceu que estavam negociando com a França, embora insistisse que isto se devia a que Paris assegura que assim que alcançarem um acordo, eles se encarregarão que o CNT o aprove também.

 

Seif al Islam, acusado pelo Tribunal Penal Internacional de cometer crimes contra a humanidade, negou mais uma vez o massacre de civis e insistiu que nos primeiros dias das revoltas só morreram 159 pessoas de grupos islâmicos próximos a delegacias e depósitos de armas, e não em manifestações.

 

Frente às acusações lançadas contra a França, Seif al Islam defendeu a Argélia como "o único país árabe que teve uma postura diferente", em relação com a posição de Argel, que não reconheceu o CNT como representante legítimo do povo, nem pediu a renúncia de Kadafi, nem de sua família.

 

Por outra parte, Seif al Islam negou que a Argélia tenha enviado mercenários a território líbio, como sustentam os rebeldes, e louvou o papel deste país vizinho como mediador na crise.

 

Sobre a solução do conflito, o dirigente líbio indicou que Trípoli apoia a proposta da União Africana.

 

"Queremos realizar eleições supervisionadas internacionalmente para formar um Governo de união nacional. Estamos prontos para pôr uma nova constituição", disse o filho de Kadafi, que apontou os rebeldes como os culpados de barrar o projeto, devido a que "não chegaram a um acordo com Paris, seu amo".

 

Neste sentido, Seif al Islam que falou do nascimento da Segunda República Líbia, não descartou a possibilidade de apresentar-se a ditos pleitos, apesar de que em 2008 tinha deixado a atividade política, segundo suas palavras.

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