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Filho de Kadafi: Líbia segue para 'guerra civil', mas vamos lutar 'até última bala'

Saif Al-Islam disse na TV estatal que seu pai continua no país e prometeu reunião para fazer reformas na Constituição

Estadão.com.br, com agências internacionais

20 de fevereiro de 2011 | 21h03

TRÍPOLI - O filho do líder da Líbia Muammar Kadafi, Saif Al-Islam, disse na noite deste domingo, 20, que as manifestações no país correm o risco de virar uma guerra civil, em meio aos confrontos sangrentos que pedem a saída do ditador, há 41 anos no poder. Em pronunciamento na TV estatal, ele falou que seu pai continua no país, protegido pelas Forças Armadas, e que não vão desistir. "Nós vamos lutar até o último minuto, até a última munição e até que o último homem estivesse de pé. O Exército está e vai continuar fiel (a meu pai)".

 

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"Não somos a Tunísia nem o Egito", também afirmou ele, referindo-se aos protestos que derrubaram Ben Ali e Hosni Mubarak do poder nos países vizinhos e que inspiraram a população líbia. Saif negou que hajam centenas de mortos nos últimos dias e que a mídia "exagera" a situação.

 

O filho de Kadafi assumiu que o Exército e as forças de seguranças erraram na repressão de manifestantes, devido a seu pobre treinamento. Mais cedo, ele disse que manifestantes haviam tomado algumas bases militares, armas e tanques, e advertiu que uma guerra civil iria acabar com a riqueza petrolífera do país. Segundo ele, há relatos de que soldados teriam sido atacados por pessoas "sob a influência de drogas".

 

O filho de Kadafi garantiu que a Líbia segue em direção ao "grande caos" porque um movimento separatista estava ameaçando a unidade nacional, já que existe a intenção de dividir o país em vários pequenos estados islâmicos, mas que dezenas de milhares de cidadãos vão a Trípoli em defesa de seu pai. "A Líbia é feita de tribos e não de partidos políticos. Não queremos uma guerra civil."

 

Saif Al-Islam Kadafi disse ainda que o Congresso Popular Geral vai se reunir neste segunda-feira para discutir uma agenda "clara" de reformas e adiantou que o governo vai "aumentar os salários" dos funcionários.

 

Ele falou que o regime está disposto a retirar algumas restrições e começar a discutir reformas na Constituição, inclusive relativas à comunicação social, no que ele descreveu como uma "iniciativa nacional histórica".

 

Protestos. Mais cedo,manifestantes voltaram a tomar as ruas de Trípoli, a capital líbia, e Benghazi, a segunda cidade mais importante do país, pedindo a saída do ditador do poder.

 

Testemunhas disseram ter ouvido barulho de tiros na região da Praça Verde, na região central da capital e que manifestantes antigoverno atearam fogo em veículos. A polícia e forças de segurança tentavam dispersar os grupos com gás lacrimogêneo.

 

Ainda conforme relato de testemunhas, a população que está nas ruas gritam "Alahu Akbar" (Deus é grande) e arremessam pedras contra cartazes e faixas com imagens de Kadafi.

 

(Com Reuters, AP, BBC Brasil e EFE)

 

Atualizado às 22h

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