Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Filho de Maduro vira alvo de sanções dos EUA

'Nicolasito’ é acusado de enriquecimento ilícito; ex-chavista envolve jovem com narcotráfico 

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 05h00

CARACAS - Na calada da noite, Nicolás Maduro Guerra aparecia no aeroporto Santiago Mariño, na Ilha Margarita, com embrulhos sem identificação. A mercadoria era levada em caminhonetes direto para a pista. Sem nenhum controle, os pacotes eram carregados em avionetas da PDVSA com destino a ilhas do Caribe. “Nicolasito”, como é conhecido o rapaz, tem 29 anos, é filho do presidente venezuelano. 

A história foi relatada com detalhes em agosto de 2017 por Sunny Balza Dugarte, ex-capitão do Exército venezuelano, em entrevista ao canal de TV colombiano NTN24. Balza era chefe da unidade militar do aeroporto de Ilha Margarita e tem uma ordem de prisão na Venezuela. “Isso acontecia a cada 15 ou 20 dias durante os dois anos em que trabalhei no aeroporto”, disse.

Balza revelou que os aviões decolavam sem plano de voo. “Mas, por experiência, sabíamos que o destino era Martinica, Barbados, Trinidad e Tobago e República Dominicana”, afirmou o ex-capitão. Nicolasito, segundo ele, promovia também orgias na ilha com mulheres ao lado de assessores, gerentes da PDVSA e comandantes militares. 

Na sexta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu Nicolasito na lista de alvos de sanções pelo governo americano por envolvimento em censura e enriquecimento ilícito. “Maduro se apoia em seu filho, Nicolasito, e em outros próximos ao seu regime autoritário para manter um estrangulamento na economia e reprimir o povo venezuelano”, afirmou o secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin. “Os EUA continuarão a focar em parentes cúmplices do regime ilegítimo que estão se beneficiando da corrupção aplicada por Maduro.”

O fato de o Tesouro americano aplicar as sanções significa que qualquer investimento em nome de Nicolasito nos EUA será congelado, o que também dificultará as transações do filho de Maduro no sistema bancário internacional. O rapaz também foi proibido de fazer negócios com pessoas e empresas americanas. Os negócios da família, porém, raramente passam pelo sistema financeiro legal. 

Nicolasito é um fenômeno da máquina de empregos chavista. Hoje, o filho de Maduro ocupa a chefia do corpo de inspetores da presidência da Venezuela, cargo mais nominal do que com funções práticas. Expediente mesmo ele dá como deputado na Assembleia Constituinte, órgão criado pelo pai para tirar os poderes da Assembleia Nacional, dominada pela oposição. 

No Twitter, Nicolasito se define como “economista”, “flautista” e “soldado” do falecido presidente Hugo Chávez. Pelas mãos do pai, chegou a dirigir uma agência anticorrupção do governo e ocupou a presidência de uma escola de cinema. Hoje, leva uma vida confortável em Caracas. 

Em março de 2015, Nicolasito foi filmado no casamento de José Zalt, um conhecido empresário da moda, no Hotel Gran Meliá, na capital, dançando enquanto notas de dólares eram jogadas sobre sua cabeça – episódio que causou indignação entre a maioria dos venezuelanos, que não têm dinheiro para comprar remédio e comida.

Mesmo sem ter o carisma de Chávez, o filho de Maduro costuma arriscar sua reputação em discursos e entrevistas improvisadas. Em julho de 2017, falando ao vivo para o canal Venevisión, ele se enrolou ao tentar culpar a oposição pela onda de protestos violentos contra o pai. “Morreu gente viva”, afirmou. / REUTERS, AFP e AP

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