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REUTERS/Jose Miguel Gomez
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Filho de Pablo Escobar vê 'apologia ao crime' em produções sobre seu pai

Juan Pablo diz que as produções de Hollywood e as novelas dão uma visão positiva sobre o mundo das drogas

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2016 | 07h00

MIAMI - Juan Pablo Escobar espera que a edição em inglês de seu livro Pablo Escobar, Meu Pai reduza a percepção positiva que os jovens possam ter tido sobre o mundo das drogas através de produções de Hollywood, séries e telenovelas que, em sua opinião, cometem "apologia ao crime".

"Quero que todos entendam que não é 'cool' ser narcotraficante", declarou em entrevista à agência EFE o filho mais velho do chefe do Cartel de Medellín, que também é conhecido como Sebastián Marroquín, nome que adotou após a morte do pai.

"A vida de Pablo Escobar não é digna de ser imitada em nenhum momento", ressaltou Juan Pablo, que dedicou os últimos oito anos de sua vida a divulgar esta mensagem. Seu livro é parte deste processo.

Após estar no ano passado entre os mais vendidos em espanhol em nível mundial, a editora Thomas Dunne Books comprou os direitos em inglês e, desde 30 de agosto, vende o livro nos Estados Unidos com o título Pablo Escobar, My Father.

Mesmo assim, segundo relatou Juan Pablo, todos os dias lhe chegam mensagens através das redes sociais nas quais jovens de lugares tão diferentes como África, Índia ou Europa lhe dizem: "Quero ser como seu pai". Ele diz que também é criticado por ter mudado seu nome.

É um fenômeno que lhe entristece e lhe desespera. Para Juan Pablo, é produto do mundo do espetáculo, desde Hollywood aos músicos que exaltam traficantes em suas canções, que mostra o mundo da droga como de uma opulência sem fim.

"Não há dúvida que Pablo Escobar é um negócio lucrativo. Não vou cair no debate sobre se é figura pública ou quem tem direito de lucrar. Há bolo para todo o mundo", afirmou.

"O problema que eu tenho é com a mensagem duvidosa (...) há muitos lucrando com o que para mim é uma apologia ao crime", acrescentou.

Para Juan Pablo, séries como Narcos, da Netflix, estrelada pelo ator brasileiro Wagner Moura, a novela colombiana Pablo Escobar: O Senhor do Tráfico e outros filmes de Hollywood deixam os jovens com a sensação de que "a vida de Pablo Escobar era uma festa constante".

Além de achar "uma grande irresponsabilidade", Juan Pablo diz não entender o por que do que descreve como "mentiras" nestas produções. Em sua página de Facebook ele chegou a publicar uma lista de "28 Fantasias de Narcos".

"Para que pôr mais pimenta na vida de Pablo Escobar, mais violência, mais mortos, mais explosões? Não lhes parece que a verdade já é suficientemente suculenta?", se perguntou Juan Pablo, que tinha 16 anos quando seu pai foi morto em 1993.

Em seu livro, o agora homem de 39 anos conta como sua família paterna deu as costas a ele, à sua irmã e à sua mãe. Ele até mesmo os acusa de roubá-los. "O mundo da máfia está cheio de traições, mas a pior é a da própria família", lamentou.

Também relata como, após negociar com as famílias colombianas da máfia - que lhes cobraram as milionários despesas da guerra do narcotráfico que castigou a Colômbia nas décadas de 1980 e 1990 -, Victoria Hainaut, a viúva de Escobar, e seus filhos ganharam novas identidades e se assentaram em Buenos Aires.

Ali, Juan Pablo Escobar tentou refazer sua vida estudando suas paixões, o design e a arquitetura, mas a sombra do chefe do Cartel de Medellín o perseguia e outra traição levou ele e sua mãe à prisão na Argentina.

Cansado de esconder-se, decidiu "dar a cara", como ele mesmo descreve a decisão de dizer sua verdade. Em 2009, protagonizou o documentário "Pecados de mi padre" e encontrou uma missão de vida: ressarcir as vítimas de seu pai na Colômbia e educar jovens e seus pais sobre como é de verdade a vida na máfia do narcotráfico. Mas seu maior sonho é deixar de ser o "filho de...".

"Eu sou um pacifista e, no final, gostaria que o mundo comece a me ver por mim mesmo. Juan Pablo Escobar, Sebastián Marroquín, como queiram me chamar. Mas que vejam a mim", pediu. / EFE

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