Filho de premiê palestino é ferido em posto de fronteira

O filho primeiro-ministro palestino, Ismail Haniye, foi ferido em um tiroteio no posto de fronteira de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza. Segundo as primeiras informações, o ferimento, na face, não foi grave.O Hamas - grupo militante islâmico atualmente no comando do governo palestino e do qual Haniya faz parte - diz que o tiroteio que atingiu o comboio no qual o primeiro-ministro viajava foi uma "tentativa de assassinato" por parte da facção rival, o Fatah (ao qual pertence o presidente palestino, Mahmoud Abbas).Um guarda-costas de Haniye foi morto no tiroteio entre guardas de fronteira aliados ao Fatah e forças de segurança do Hamas. O confronto começou depois que o primeiro-ministro finalmente conseguiu atravessar a fronteira, após uma espera de quase oito horas até que Israel reabrisse o posto. Haniye só pôde passar para Gaza depois de negociações que envolveram mediadores egípcios. Por determinação de Israel, no entanto, o premiê teve de deixar mais de US$ 30 milhões - que havia arrecadado em doações para o seu governo dos países que visitou nos últimos dias - com assessores do lado egípcio da fronteira.A decisão israelense de ordenar o fechamento da fronteira de Rafah para impedir a passagem de Haniye provocou revolta de militantes do Hamas, que invadiram o posto e entraram em choque com os guardas que faziam a segurança do local (pertencentes à guarda presidencial palestina, que é responsável pela segurança na fronteira). Pelo menos 13 militantes saíram feridos. DoaçõesO Hamas vem pedindo doações para driblar os efeitos das sanções internacionais impostas desde que assumiu o poder, no início do ano. Sem verbas, o grupo não tem conseguido, por exemplo, pagar os salários de 10 mil funcionários.Israel, no entanto, alega que o dinheiro seria usado para financiar operações "terroristas" contra israelenses. O Hamas é considerado um grupo terrorista por Israel, EUA e União Européia.Haniye visitou países como Irã, Catar e Sudão para levantar fundos para o seu governo. A maior parte do dinheiro que o premiê pretendia levar consigo teria sido doada pelo Irã.O posto de Rafah havia sido fechado pelos monitores da União Européia, responsáveis pela operação da fronteira de Rafah, a pedido do ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz.O premiê palestino havia antecipado o seu retorno para quinta-feira para lidar com as crescentes tensões entre o Hamas e o Fatah, agravadas na segunda-feira pela morte de três crianças, todos filhos de um chefe do setor de inteligência do Fatah. O presidente Mahmoud Abbas já falou na possibilidade de novas eleições. O Hamas vê essa possibilidade como uma tentativa de golpe contra o seu governo, eleito democraticamente.

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