Filho de presidente deposto do Quirguistão é preso no Reino Unido, diz agência

Interpol tinha ordem de prisão contra Maksim Bakiyev por fraude; violência étnica já deixou 138 mortos no país

Agência Estado e Reuters,

14 de junho de 2010 | 23h03

Refugiados usbeques esperam para cruzar a fronteira com o Usbequistão em Osh

 

LONDRES- Autoridades britânicas prenderam o filho mais novo do presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, reportou a agência quirguiz Akipress nesta segunda-feira, 14.

 

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Maksim Bakiyev foi preso após desembarcar no aeroporto de Farnborough, no sul da Inglaterra, como disse o Chefe de Segurança do Quirguistão, Keneshbek Dushibayev, à televisão local.

 

As autoridades britânicas se recusaram a comentar a prisão. Dushibayev disse à televisão local que o Quirguistão iria solicitar a extradição de Maksim ao Reino Unido.

 

No mês passado, a Interpol circulou uma ordem de prisão para o filho de Bakiyev por fraude. O órgão se recusou a comentar os reportes da prisão da segunda.

 

O ex-presidente deixou o país em abril após uma violenta revolta que matou dezenas de pessoas, quando manifestantes enfrentaram a polícia e destruíram prédios do governo. Ele fugiu para a Bielorússia, aonde permanece.

 

Atualmente, o país sofre com conflitos étnicos, que já deixaram 138 mortos e 1.800 feridos. Cerca de 100 mil usbeques migraram para a fronteira com o Usbequistão fugindo da violência dos quirguizes, afirmou um líder usbeque.

 

Esta é a maior onda de problemas étnicos em 20 anos na região. Os Estados Unidos e a Rússia, os quais possuem bases militares no Quirguistão, têm trabalhado com voos de ajuda humanitária ao país, bem como as Nações Unidas.

 

O vizinho Usbequistão já montou campos de refugiados perto da fronteira, para receber as milhares de famílias de refugiados.

 

Pelo quarto dia seguido, foram ouvidos tiroteios em Osh, cidade que fica a apenas cinco quilômetros da fronteira com o Usbequistão. O líder da comunidade usbeque afirma que pelo menos 200 corpos de usbeques já foram sepultados, enquanto representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha disseram que viram 100 corpos serem sepultados em apenas um cemitério.

 

O governo interino do Quirguistão tem sido incapaz de parar a violência. O governo interino acusa a família de Bakiyev de incitar a violência, conspirando para atrapalhar a realização de um referendo em 27 de junho sobre a nova Constituição.

 

Os usbeques, que são uma minoria no Quirguistão, mas que no sul do país rivalizam com os quirguizes em número de habitantes, apoiam o governo interino. Muitos quirguizes, no sul do país, apoiam Bakiyev. O ex-presidente negou qualquer envolvimento com a violência em Osh.

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