Ismail Zitouny / Reuters
Ismail Zitouny / Reuters

Filho do ditador Kadafi é condenado à morte por tribunal líbio

Saif al-Islam foi julgado pela morte de civis durante os protestos de 2011; ele é mantido preso por ex-grupo rebelde há 4 anos 

O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2015 | 08h58

TRÍPOLI - Um tribunal líbio condenou à morte o filho mais conhecido do ditador Muamar Kadafi, Saif al-Islam, nesta terça-feira, 28, por crimes de guerra e atos para reprimir protestos pacíficos durante a revolução nacional de 2011 que levou à queda do governo de seu pai.

O tribunal também sentenciou à morte por pelotão de fuzilamento outros oito ex-oficiais do regime de Kadafi, entre eles o ex-chefe de inteligência Abdullah al-Senussi e o ex-premiê Baghdadi al-Mahmoudi, sob as mesmas acusações, disse Sadiq al-Sur, investigador-chefe da procuradoria de Trípoli.

Outras oito ex-autoridades receberam sentenças de prisão perpétua e sete foram condenadas a 12 anos de prisão cada, detalhou al-Sur. Quatro foram inocentados. Todos, menos Saif al-Islam, estão sob custódia.

O veredicto sobre al-Islam foi aprovado à revelia em Trípoli, uma vez que ele tem sido mantido confinado há quatro anos por um ex-grupo rebelde na região de Zintan, fora do controle do governo central.

Considerado durante muito tempo herdeiro político de Kadafi, al-Islam foi detido na cidade de Zintan, a 159 quilômetros de Trípoli, pelas milícias que se negam a entregá-lo ao governo de Trípoli desde sua captura em novembro de 2011.

O julgamento do filho do ditador começou em abril de 2014, antes de confrontos entre facções rivais em Trípoli que dividiram a Líbia entre dois governos competindo pela autoridade central.

Cabe recurso contra as sentenças e elas devem ser confirmadas pela Suprema Corte da Líbia. O Tribunal Penal Internacional (TPI) e grupos de direitos humanos dizem se preocupar com a imparcialidade e competência do sistema judiciário líbio,  embora tenham reconhecido em 2013 o direito de julgamento de Senussi em casa, e não no TPI, em Haia. 

O TPI havia pedido para julgar al-Islam por crimes contra a humanidade, mas as autoridades locais rejeitaram sua entrega com o argumento de que o julgamento do filho do ditador era um direito do povo líbio. /EFE e REUTERS

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