Bandar Algaloud/Courtesy of Saudi Royal Court/Handout/File Photo via REUTERS
Bandar Algaloud/Courtesy of Saudi Royal Court/Handout/File Photo via REUTERS

Sucessor saudita deve tirar foco de terrorismo e priorizar economia

Rei Salman, da Arábia Saudita, nomeou nesta quarta-feira, seu filho Mohamed bin Salman, de 31 nos, novo príncipe herdeiro

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2017 | 02h20
Atualizado 21 de junho de 2017 | 20h37

RIAD - O rei Salman, da Arábia Saudita, nomeou nesta quarta-feira, 21, seu filho Mohamed bin Salman, de 31 nos, novo príncipe herdeiro, confirmando sua ascensão em um momento de crise com o Catar e de estagnação na guerra no Iêmen.

Segundo um decreto real, o soberano destituiu o primo, o até agora príncipe herdeiro Mohamed bin Nayef, para substituí-lo por seu filho. A decisão abre caminho para que a segunda geração da dinastia Al-Saud assuma o trono da monarquia ultraconservadora e maior potência petrolífera do mundo.

Convertido em homem forte do reino após seu pai chegar ao poder, em janeiro de 2015, Mohamed bin Salman consolida sua meteórica ascensão desde que foi nomeado ministro da Defesa. 

Já o príncipe Mohamed bin Nayef, de 57 anos, apreciado no Ocidente por sua ação contra os grupos extremistas, foi despojado de todas as suas funções – além de príncipe herdeiro, ele era vice-premiê e ministro do Interior, cargo agora ocupado pelo príncipe Abdulaziz bin Saud bin Nayef, de 33 anos.

Mohamed bin Salman, que tem reputação de reformista, também é conselheiro especial do rei e, principalmente, presidente do Conselho de Assuntos Econômicos e de Desenvolvimento, órgão que supervisiona a Saudi Aramco, principal empresa produtora de petróleo do mundo.

Para analistas, a mudança encerra a incerteza a respeito da sucessão e dá ao príncipe o poder de acelerar seu plano de reduzir a dependência saudita do petróleo, o que inclui a privatização parcial da Aramco. “A mudança é um grande impulso para o programa de reforma econômica. O príncipe Mohamed bin Salman é seu arquiteto”, disse John Sfakianakis, diretor do Centro de Pesquisa do Golfo, com sede em Riad.

Intencionalmente ou não, o rei está enviando uma mensagem sobre suas prioridades ao remover o primo de todos os seus cargos, incluindo ministro do Interior. A mensagem é que o combate ao terrorismo não é mais a prioridade do país.

A Arábia Saudita estaria interessada em resolver outros problemas agora, particularmente reformar sua economia com base no petróleo, um esforço do qual o novo príncipe herdeiro assumiu a liderança, tanto com sua visão modernizadora, quanto por sua energia. 

Ele criou um amplo plano – Visão Saudita 2030 – que busca reduzir a dependência do país do petróleo, diversificando sua economia e reduzindo algumas restrições sociais do reino.

Essa mudança pode preocupar o governo americano, principalmente após a promessa ao reino de cooperação na luta contra o terrorismo feita durante a visita, em maio, do presidente dos EUA, Donald Trump.

O príncipe Mohamed bin Nayef, que foi ferido em uma tentativa de assassinato da Al-Qaeda, em 2009, manteve uma próxima relação com a comunidade de inteligência dos EUA e sempre teve a reputação de ser confiável. Ele também era identificado com a efetiva e formidável estrutura de segurança construída por seu pai, que morreu de ataque cardíaco em 2012. / AFP e REUTERS

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