Filhos de Bin Laden se queixam de 'morte arbitrária' do pai, diz jornal

Em comunicado ao 'New York Times', parentes dizem não estar convencidos pela versão da Casa Branca sobre morte.

BBC Brasil, BBC

10 de maio de 2011 | 22h30

Filhos de Osama Bin Laden criticaram autoridades americanas por terem promovido o que eles chamaram de "morte arbitrária" de seu pai.

Em comunicado enviado ao jornal The New York Times, familiares do extremista questionaram o fato de ele ter sido morto, em vez de capturado vivo.

Eles também pediram a libertação de seus parentes que estavam na mansão onde o líder da Al-Qaeda foi encontrado, em 1º de maio, em Abbottabad, no Paquistão.

Outro comunicado foi divulgado em um site jihadista, dizendo que o suposto sepultamento de Bin Laden no mar - versão dada pela Casa Branca - é "humilhante" para seus familiares.

Bin Laden foi morto a tiros durante uma operação de forças especiais americanas no Paquistão.

O comunicado publicado pelo NYT foi atribuído ao quarto filho de Bin Laden, Omar Bin Laden, que em diversas ocasiões tentou se distanciar da ideologia propagada por seu pai.

O texto de Omar diz que, na ausência de um corpo e de evidências fotográficas da morte de Bin Laden, a família não está convencida que ele está morto.

O presidente dos EUA, Barack Obama, havia dito anteriormente que não pretende divulgar as fotos de Bin Laden morto, temendo que as imagens provoquem atos de violência e extremismo.

Questionamento

No caso de Bin Laden ter de fato morrido, seus familiares questionam "por que um homem desarmado não foi preso e julgado sob a lei, de forma que a verdade fosse revelada ao resto do mundo".

Eles dizem que a morte do extremista foi uma violação de leis internacionais.

"A morte arbitrária não é uma solução a problemas políticos", diz o texto, que pede uma investigação sobre a "execução primária".

Um site jihadista publicou mensagem em que dizia que o presidente dos EUA, Barack Obama, é "legalmente responsável" por esclarecer o ocorrido com Bin Laden e que seu sepultamento no mar "humilha seus familiares e simpatizantes".

Os EUA, por sua vez, pedem que o Paquistão investigue como Bin Laden conseguiu permanecer durante anos em seu território sem ter sido identificado e denunciado.

O premiê paquistanês, Yusuf Raza Gilani, disse na última segunda-feira que pretende investigar o ocorrido, mas agregou que são "absurdas" as acusações de que o país teria sido incompetente ou conivente quanto à presença de Bin Laden no país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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