Filhos de dona do 'Clarín' aceitam fazer teste de DNA

Os irmãos adotivos Marcela e Felipe Herrera de Noble, herdeiros do Grupo Clarín, maior holding multimídia da Argentina, anunciaram ontem que aceitam passar por um novo exame de DNA e submeter o resultado a um banco de dados com material genético de famílias de desaparecidos do regime militar. As Avós da Praça de Maio, que há três décadas procuram bebês sequestrados pela ditadura, afirmam que eles são filhos de desaparecidos, teoria que os herdeiros do Grupo Clarín rechaçam.

AP, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

Em sete anos de ditadura, os militares sequestraram 500 bebês, dos quais apenas 103 foram recuperados pelas famílias biológicas. Nos últimos dois anos, a presidente Cristina Kirchner tem usado o caso para atacar a dona do Clarín, Ernestina Herrera de Noble, que adotou os dois irmãos em 1976.

Segundo o advogado dos irmãos, Alejandro Carrió, eles tomaram a decisão porque estão "cansados da hostilidade do governo". Carrió indicou que eles querem se submeter aos exames o mais cedo possível.

O caso tornou-se uma das principais bandeiras do governo desde 2008, ano em que terminou abruptamente uma aliança de meia década entre o Clarín e Cristina. Desde então, o governo tomou diversas medidas para reduzir o poder do grupo, tentando impor uma série de leis que restringe a liberdade de imprensa e apoiando outras ações que prejudicam a circulação do jornal do grupo, o Clarín.

A decisão dos irmãos pegou a Casa Rosada de surpresa. "O governo tentava manter um clima de suspeita sobre o caso e não esperava isso", afirmou o colunista político Jorge Lanata. A agência oficial de notícias Telam disse que "fontes ligadas ao caso" consideraram a reviravolta uma "guinada suspeita"

A líder das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, comemorou a notícia. "A vida deles era um inferno", disse. Maria Mariani, uma das fundadoras da organização, acredita que Marcela Noble seja sua neta Clara Anahí, que foi sequestrada aos 3 meses de idade, em 1977 - os pais eram militantes do grupo Montoneros e foram assassinados pela ditadura.

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