Filhos de Elisabeth vão ter dificuldade de integração social

Segundo especialistas, eles terão de passar por longo tratamento para adaptação ao mundo exterior

Gabriella Dorlhiac e Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2008 | 00h00

Os três filhos de Elisabeth que permaneceram no cativeiro com a mãe por todos esses anos podem ter sérios problemas para adaptarem-se à sociedade. Apesar de as autoridades austríacas se negarem a dar detalhes sobre o estado psicológico das vítimas, especialistas acreditam que os jovens podem ter problemas futuros de relacionamento pessoal e depressão."Esses jovens terão problemas de sociabilidade porque eles não tiveram contato com o mundo exterior", afirmou o psicólogo Miguel Perosa, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Eles terão de acostumar-se com outras pessoas para aprenderem a conviver em um novo ambiente." A psiquiatra Maria Cristina Ferrari, do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, afirma que a falta de convívio na sociedade afeta o desenvolvimento da linguagem. "O desenvolvimento dos neurônios das vítimas também pode ser prejudicado", disse. Ela acredita que o filho mais novo de Elisabeth é o que tem mais chances de recuperar-se.No entanto, Perosa alerta: ainda é muito cedo para determinar as conseqüências que o episódio terá na vida das vítimas. "As informações que temos são circunstanciais e para determinar o que realmente pode ocorrer a esses jovens precisaríamos ter detalhes do que aconteceu no cativeiro", disse.O psiquiatra Elko Perissinotti, também do HC, acredita que as vítimas terão de ser submetidas a tratamento psicológico prolongado durante anos. "A experiência pela qual essas crianças passaram pode fazer com que elas tenham problemas de relacionamento pessoal e recorram a drogas - tanto lícitas como ilícitas", disse Perissinotti. "Elas podem até desenvolver um quadro de depressão grave com grande risco de suicídio." Segundo o psiquiatra, as vítimas - por terem sido geradas em um caso de incesto - também podem ter malformação genética. "Os problemas podem ultrapassar os limites físicos e criar situações de malformação neurológica e mental."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.