Bolivian Presidency/Reuters
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Filhos de Evo deixam a Bolívia rumo à Argentina

Ministro do Interior boliviano, Arturo Murillo, disse em sua conta no Twitter que os parentes de Evo receberam garantias para deixar o país

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2019 | 13h47

LA PAZ - Os dois filhos do ex-presidente Evo Morales, que se encontra asilado no México, deixaram a Bolívia neste sábado, 23, para a Argentina, informou o governo interino boliviano. 

O ministro do Interior, Arturo Murillo, disse em sua conta no Twitter que os parentes de Evo receberam garantias para deixar o país. "Seguindo as instruções da presidente @JeanineAnez, demos todas as garantias aos filhos de @evoespueblo para deixar o país, nesta manhã eles embarcaram em um avião da Latam", escreveu o ministro, sem precisar os motivos da viagem.

"Cuidamos da família, os filhos não respondem pelos crimes dos pais", afirmou o ministro Murillo.

Anteriormente, Evo havia alertado na mesma rede social que sua filha estava sendo acusada de "enriquecimento ilícito". "A acusação contra minha filha Evaliz é outro exemplo da mentira e das difamações que o regime de fato faz. Exijo que eles apresentem uma prova do suposto 'enriquecimento ilícito'. O que mais eles vão inventar para tentar nos atacar!".

A Bolívia passa por sua pior crise em anos após as eleições gerais de 20 de outubro. Com quase 14 anos no poder, Evo foi proclamado vencedor por um novo mandato de cinco anos, mas a oposição alegou fraude e iluminou as ruas contra o líder indígena.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) encontrou irregularidades no processo. Pressionado pelos protestos e depois de perder o apoio das forças militares e da polícia, o então presidente foi forçado a renunciar em 10 de novembro. 

Evo exilou-se no México denunciando um golpe, enquanto seus partidários lançaram uma contraofensiva que mergulhou grande parte do país no caos.

Negociações com a oposição

Neste sábado, o governo interino da Bolívia inicia negociações com a oposição para acabar com um mês de violências que deixaram 32 mortos, enquanto o Senado se prepara para dar sinal verde às novas eleições. 

"Estamos começando a dialogar para pacificar o país", disse na sexta-feira o ministro de Obras Públicas, Yerko Núñez, um dos responsáveis por estabelecer o diálogo com os manifestantes leais a Evo. 

Para Entender

A luta de poder na Bolívia: Jeanine Áñez no gabinete contra Evo Morales exilado no México

Presidente interina precisa obter reconhecimento, organizar eleições, além de estabilizar e reconstruir o país após semanas de protestos violentos; enquanto isso, ex-mandatário promete manter papel ativo na política boliviana

O governo provisório está trabalhando há dias uma abordagem com os setores que provocaram protestos em vários departamentos do país em apoio ex-presidente e em rejeição à sua sucessora, a direitista Jeanine Áñez.

Segundo Núñez, no caso de chegar a um acordo durante a reunião de diálogo no Palácio Queimado (sede presidencial), que envolverá "todas as organizações mobilizadas", os oponentes "suspenderão os pontos de bloqueio" que ainda existem em algumas áreas do país, como na cidade de El Alto, vizinha de La Paz, e no centro cocaleiro de Chapare (centro), uma fortaleza inexpugnável do ex-governante indígena.

Evo é acusado de terrorismo e sedição

A crise parecia seguir um rumo mais incerto quando a promotoria anunciou, mais cedo na sexta-feira, uma investigação formal contra Evo por "terrorismo e sedição", após uma denúncia de Murillo. 

O funcionário foi ao tribunal com um áudio no qual Evo é supostamente ouvido instruindo um plantador de coca para cercar as cidades e interromper o fornecimento de alimentos com bloqueio de estradas. 

Na quinta-feira, o ex-presidnete denunciou no Twitter os planos do governo de Áñez de envolvê-lo em um "julgamento internacional" baseado em uma "montagem". 

Em princípio, Evo, de 60 anos, responderia na condição de ex-presidente, desprovido de foro especial, em um processo que poderia terminar em sua acusação e eventual sentença de até 30 anos de prisão. 

À espera de eleições

A nova virada na crise coincide com a expectativa de convocação de eleições gerais e a anulação do processo de 20 de outubro. O político e ex-consultor Iván Arias disse que a medida contra Evo pode muito bem levar à "lealdade do seu povo" ou assumir que "Evo já é história".  

Com maioria no congresso bicameral, o Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo, refina um acordo com as ex-forças da oposição para renovar o Supremo Tribunal Eleitoral e fixar novas eleições. / AFP 

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