JEWEL SAMAD/AFP
JEWEL SAMAD/AFP

Filhos de imigrantes ilegais pressionam Donald Trump

Congresso busca acordo para reforma migratória; Donald Trump exige recursos para construção de muro e restrições à imigração legal

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2018 | 21h32

Brenda Rodríguez faz uma contagem regressiva de quantos dias de proteção contra a deportação ela ainda tem antes que acabe a autorização provisória de residir nos EUA concedida no âmbito do Daca, o programa que regularizou de maneira temporária a situação de jovens imigrantes levados ao país na infância. Na quinta-feira, dia 8, ela ainda tinha 445 dias. 

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Nascida no México, Rodríguez chegou aos Estados Unidos há 15 anos, quando tinha 9 anos. Seu sentimento na quinta-feira, dia 8, era de frustração e raiva diante do acordo bipartidário do Senado que aprovou gastos adicionais de US$ 300 bilhões em um pacto que não incluiu uma solução para o Daca. 

“Mais uma vez, republicanos e democratas desapontaram minha comunidade”, disse Rodríguez, que dentro de três meses se formará em espanhol e estudos sobre as mulheres. Seus pais e seus dois irmãos são imigrantes ilegais. “Sou a única de minha família protegida contra a deportação, mas meus dias estão contados”, afirmou Rodríguez, que nunca visitou o México após entrar nos EUA.

Os congressistas estão diante de outra contagem regressiva, ainda mais urgente: democratas e republicanos têm 24 dias para aprovar legislação que estenda o Daca de maneira provisória ou definitiva. O presidente Donald Trump disse que, se isso não ocorrer até o dia 5 de março, o programa será extinto. Os que ainda tiverem autorizações válidas para permanecer no país poderão ficar legalmente até que o prazo de dois anos se esgote, mas não poderão mais solicitar a renovação do benefício.

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Para o namorado de Rodríguez, Marco Antonio Arguelles Pérez, esse dia chegará dentro de um ano, logo após sua formatura em finanças e espanhol. Nascido no México, ele passou 20 de seus 24 anos de vida nos Estados Unidos. Seus pais são ilegais e seus irmãos mais novos são cidadãos americanos. “Se não houver proteção contra a deportação, nossa família será estilhaçada.”

A promessa de líderes republicanos e democratas é encontrar uma solução para o Daca em um projeto de reforma do sistema migratório que será discutido na próxima semana. Em troca, Trump exige recursos para construção de um muro na fronteira com o México, mais dinheiro para agentes de imigração e restrições à imigração legal para os EUA.

Estephanie De La Cruz, de 20 anos, seu irmão Giovani, de 25, e a irmã Maria José, de 17, são beneficiários do Daca, enquanto seus pais vivem de maneira ilegal nos EUA. “Queremos uma solução permanente, que acabe com essa incerteza. Fiz minha vida aqui. Cresci aqui, minha casa é aqui e quero ter um futuro aqui.”

Nascida no México, ela afirma que o governo Trump tem uma posição ambígua em relação a imigrantes ilegais. “Ele acena com a legalização dos mais jovens, mas adota uma posição dura em relação à geração mais velha, com ameaças de prisão e deportação.” 

Mesmo com a frustração diante da exclusão do Daca da proposta orçamentária, ela disse acreditar que o Congresso encontrará uma solução antes de 5 de março para os “dreamers”, como são chamados os jovens imigrantes.

 

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