Filhos de Khadafi deixam cidade cercada, dizem opositores

Combatentes leais ao governo interino se preparam para invadir Bani Walid, mas líderes do CNT estenderam ultimato para rendição.

BBC Brasil, BBC

05 Setembro 2011 | 11h39

Dois filhos do coronel Muamar Khadafi que estavam abrigados em Bani Walid - a sudeste da capital Trípoli - abandonaram a cidade, que está cercada por forças ligadas ao Conselho Nacional de Transição (CNT), segundo informou à BBC nesta segunda-feira um dos líderes do grupo.

Mustafa Abdul Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição, que já controla a maior parte do país, disse que Saif al-Islam e Mutassim Khadafi estavam bloqueando a rendição da cidade - uma das quatro do país que ainda estão sob controle de forças pró-Khadafi. As outras são Jufra, Sabha e a cidade natal de Khadafi, Sirte.

Os filhos de Khadafi teriam deixado a cidade no sábado em direção ao sul do país.

Combatentes alinhados ao CNT, que cercaram Bani Walid (a 150 km de Trípoli) neste domingo, disseram inicialmente que as negociações de paz com as forças leais a Khadafi haviam falhado e que uma ofensiva contra a cidade poderia ocorrer a qualquer momento.

Mas Abdul Jalil disse que, agora que se tem conhecimento de que os filhos de Khadafi deixaram o local, o diálogo se manterá aberto até o fim do novo ultimato imposto às cidades, no sábado, "para evitar mais derramamento de sangue".

Ainda assim, centenas de opositores de Khadafi estão ocupando caminhões repletos de armamento nos arredores da cidade. Além de ser um bastião de Khadafi, Bani Walid também abriga a maior e mais poderosa tribo da Líbia, a Warfalla.

Negociações

Horas antes, o negociador do CNT Abdullah Kenchil disse ao correspondente da BBC Ian Pannel que dois coronéis e outros combatentes em Bani Walid permanecem sendo uma ameaça.

Ele disse que os negociadores tentaram persuadi-los a entregar as armas por causa do perigo para os civis locais.

"Não queremos que nada aconteça com ninguém em Bani Walid. Queremos entrar pacificamente e garantir a segurança da população, que de outra maneira pode ser usada como escudo humano ou ser alvo de vingança, caso não apoiem (as forças leais a Khadafi)."

Kenchil disse ainda que os oficiais militares pró-Khadafi receberam garantias de que teriam um tratamento justo e seriam julgados por supostos abusos durante o levante se entregassem as armas.

Para alguns analistas, a tomada dos últimos bastiões de resistência pró-Khadafi é necessária para que o CNT consolide o controle sobre todo o país para poder formar um governo significativo e eliminar a ameaça do antigo regime.

Membros da família

No domingo, o CNT informou que outro filho de Khadafi, Khamis, teria sido morto em uma batalha perto de Trípoli e enterrado perto de Bani Walid. A informação foi mais tarde desmentida e o grupo afirmou que não sabe ao certo se Khamis morreu ou não.

A morte de Khamis Khadafi já havia sido anunciada em outras duas ocasiões durante os conflitos com o governo.

Muhammad, o filho do ex-chefe da inteligência Abdullah Senussi, também teria sido morto.

O paradeiro de Khadafi permanece desconhecido. Seu porta-voz, Moussa Ibrahim, afirmou à agência de notícias Reuters em uma entrevista telefônica que o coronel estaria em algum lugar na Líbia, cercado em segurança por apoiadores leais.

Neste domingo, o CNT afirmou que sabia do paradeiro de Khadafi, mas não confirmou nenhuma localização específica.

Armas chinesas

No front internacional, a China admitiu que fornecedores de armas chineses se encontraram em julho com representantes de Khadafi, apesar de um embargo à venda de armas ao líder líbio.

Uma porta-voz da Chancelaria chinesa disse que os enviados de Khadafi foram à China sem que o governo tivesse conhecimento e que nenhum acordo foi firmado.

Um proeminente líder anti-Khadafi está exigindo um pedido de desculpas por parte da Grã-Bretanha e dos EUA, por supostamente terem apoiado sua captura e tortura na Líbia em 2004.

Supostos documentos da CIA (agência de inteligência americana) encontrados por forças anti-Khadafi em Trípoli teriam indicado que Abdel Hakim Belhaj - que hoje comanda a capital líbia, mas que em 2004 esteve envolvido com um grupo islâmico - foi preso em Bancoc em uma operação anglo-americana, levado à Líbia sem ser processado legalmente e torturado por agentes líbios.

O premiê britânico, David Cameron, pediu uma investigação independente do caso. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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