Arquivo Pessoal
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Filhos de kirchnerista têm US$ 25 milhões na Suíça, diz Justiça

Investigadores apontam lavagem de dinheiro e pedem prisão de quarteto cujo pai, Lázaro Báez, está na cadeia

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. paulo

24 Junho 2016 | 21h36

A Justiça argentina recebeu nesta sexta-feira, 24, o pedido de prisão dos quatro filhos do empreiteiro kirchnerista Lázaro Báez, depois que contas no valor de US$ 25 milhões no nome deles foram encontradas na Suíça. A detenção foi solicitada pela Unidade de Informação Financeira, grupo do Ministério da Justiça que participa na investigação contra o empresário ligado aos governos de Néstor (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015).

Preso no início de abril, o empreiteiro acusado de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro negou até agora relação entre o aumento de sua fortuna e sua proximidade com os dois ex-presidentes. Ele chegou a ganhar mais de 80% das licitações na Província de Santa Cruz, berço dos Kirchners.

Báez foi detido por ordem do juiz Sebastián Casanello, sob suspeita de que tinha um plano de fuga. Desde então, manteve um perfil discreto na Penitenciária de Ezeiza, a 50 quilômetros de Buenos Aires, e frustrou os que imaginavam que ele envolveria o kirchnerismo nas vezes que foi convocado a depor. Em uma rara manifestação pública, ele pediu justamente proteção para os filhos, argumentando que estariam sob ameaça.

Embora dezenas de propriedades suas tenham sofrido revistas formais e escavações em busca de dinheiro enterrado, não havia evidência concreta que pudesse sustentar uma condenação. 

Com a descoberta de várias contas na Europa em nome de seus filhos, o Ministério Público acredita ter encontrado a forma como o dinheiro era retirado da Argentina e retornava.

“O dinheiro ia para a Suíça e reingressa ao país com a suposta venda de títulos”, disse em uma inusual entrevista coletiva ontem o promotor Guillermo Marijuan. “Houve uma venda de títulos por 208 milhões de pesos (R$ 47 milhões), que voltaram ao país em uma manobra de lavagem de dinheiro para se transformar em imóveis”, completou.

O promotor não antecipou se a Justiça deve cumprir o pedido de prisão dos quatro filhos do empresário. Ele acredita que é preciso saber primeiro que papel cada um teve na constituição das contas e na movimentação do dinheiro. 

De todos, o mais envolvido na investigação é Martín Báez, de 35 anos. Ele se tornou conhecido após a divulgação imagens gravadas em 2012 em que aparece na “Rosadita”, apelido de uma das sedes das empresas de Báez em Buenos Aires, contando pilhas de milhares de dólares em máquinas.

A gravação motivou uma onda de indignação que culminou com a prisão de Lázaro, em 5 de abril, sem que nenhum elemento novo tivesse aparecido naquela data. O episódio levou o promotor Marijuan a denunciar também Cristina.

Recentemente, o caçula Leandro Báez, de 25 anos, ganhou protagonismo ao romper o pacto de silêncio do pai e acusar o juiz Casanello de proteger Cristina na investigação. Foi o primeiro sinal de falta de sintonia entre os Báez e a ex-presidente. 

Para defender o filho, o empresário garantiu, em carta tornada pública, que Casanello não era imparcial porque se encontrara com Cristina na Quinta de Olivos, residência oficial da presidência, após uma reunião dele com ela. 

Tanto o juiz quanto a ex-presidente negam o encontro. Lázaro também argumenta que Casanello não investiga outros empreiteiros beneficiados por contratos durante o kirchnerismo. O empresário tem ainda Luciana, a mais velha, de 36 anos, responsável pela construtora Austral desde sua prisão, e Melina, advogada de 28 anos, não tinha relação direta com os negócios da família. 

Com a possível detenção dos filhos, a atenção recai sobre um quinto personagem, Norma Calismonte, a matriarca, de quem Lázaro separou-se no ano passado. A Câmara argentina aprovou nesta semana uma lei de delação premiada para casos de corrupção, que ainda deve passar pelo Senado. 

A causa mais antiga envolvendo Báez e Cristina é a Hotesur, em que quartos de hotéis da família na Patagônia foram alugados durante dois anos por 10 milhões de pesos (R$ 2,4 milhões) pelo empreiteiro sem ocupação real. 

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