AFP PHOTO / JUAN BARRETO
AFP PHOTO / JUAN BARRETO

Filhos de Maduro e de promotor chavista entram em batalha política na Venezuela

Nicolás Maduro Guerra lamentou a atitude de seu colega de infância Yibram Saab, que publicou um vídeo na internet no qual denuncia a repressão aos protestos e uma ruptura constitucional e pede ao pai que 'acabe com a injustiça' no país

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2017 | 12h46

CARACAS - Em mais um desdobramento da crise na Venezuela, Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente Nicolás Maduro, criticou nesta quinta-feira, 27, a publicação de um vídeo na internet por Yibram Saab, filho do promotor chavista Tarek William Saab, no qual ele pede para o pai colocar fim à injustiça no país (veja abaixo).

Em uma carta pública divulgada por Guerra, o filho do líder bolivariano disse lamentar a atitude tomada pelo amigo de infância, considerada uma tentativa de buscar "três minutos de fama" com uma mensagem que está sendo usada como um "troféu de guerra" pelos opositores do governo.

"Seus três minutos de fama poderiam ter sido diferentes. Acredito que você poderia ter ligado para seu pai e conversado com ele, expressando seu amor e sua preocupação de escutá-lo", afirmou Guerra. "Te convido a fazer uma reflexão já que somos criados por grandes seres humanos."

Na mensagem divulgada nas redes sociais e direcionada a Yibram, o filho do presidente venezuelano lembrou episódios da infância dos dois e afirmou que os opositores que agora comemoram o vídeo criticando o governo são os mesmo que prenderam os chavistas no passado.

O vídeo publicado na noite de quarta-feira por Yibram viralizou rapidamente. Na mensagem, ele denuncia uma repressão brutal contra os protestos e uma ruptura constitucional no país.

"Pai, neste momento você tem o poder de acabar com a injustiça que afundou o país. Peço como filho e em nome da Venezuela, país ao qual você serve, que reflita e faça o que tem que fazer", disse Yibram.

Yibram marchou na quarta-feira em Caracas em uma mobilização opositora dispersada com gás lacrimogêneo quando tentava se dirigir à sede da Defensoria do Povo, no centro da cidade, considerado um reduto do governismo. Um jovem morreu depois de ter sido atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo nos protestos, o que elevou a 28 o número de mortos em quatro semanas de protestos contra Maduro.

A oposição exige que Saab inicie um procedimento para destituir os magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que assumiram temporariamente as funções do Parlamento, de maioria opositora, com sentenças anuladas após uma forte condenação internacional.

Como Defensor do Povo, Saab deve atuar de forma autônoma e defender os direitos dos cidadãos venezuelanos. Seu voto no Conselho Moral Republicano - composto por três membros e constitucionalmente responsável por defender as instituições democráticas da Venezuela - poderia ajudar na solução da atual crise caso a procuradora-geral do país, Luisa Ortega Díaz, decida dar prosseguimento ao processo para destituir os juízes do TSJ. / AP, AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
CARACAS Venezuela Nicolás Maduro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.