Arquivo / AP
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Filhos do ex-ditador Mubarak são libertados da prisão

Tribunal havia determinado libertação dos dois sob pagamento de fiança; eles serão julgados novamente por casos de corrupção 

O Estado de S. Paulo

26 de janeiro de 2015 | 10h49


CAIRO - Os dois filhos do ex-ditador egípcio Hosni Mubarak saíram da cadeia nesta segunda-feira, 26, quase quatro anos após terem sido detidos junto com o pai, informaram autoridades em condição de anonimato.

Funcionários da área de segurança disseram que Alaa e Gamal, dois ricos empresários, saíram da prisão de Torah, localizada num subúrbio ao sul do Cairo, no começo da manhã (horário local) e se dirigiram para suas respectivas casas.

Eles serão julgados novamente com Mubarak por acusações de corrupção. Separadamente, os dois filhos também são réus num caso de uso de informações privilegiadas na negociação de ações. Eles foram inocentados de outras acusações.

Mubarak, de 86 anos, deixou a presidência em fevereiro de 2011 após um levante popular. Ele e os filhos foram detidos em abril daquele ano. O ex-presidente continua num hospital militar num subúrbio ao sul da capital, embora já não haja fundamentos legais para sua detenção.

A libertação dos irmãos era esperada desde a determinação, na quinta-feira, de um tribunal do Cairo, que exigiu o pagamento de fiança. Os filhos de Mubarak foram sentenciados a quatro anos de prisão, acusados de usar fundos estatais para reformar imóveis da família. O pai foi sentenciado a três anos de prisão nesse caso, mas as sentenças foram revogadas no início deste mês.

O ex-presidente foi sentenciado à prisão perpétua em 2012 por não ter evitado a morte de cerca de 900 manifestantes durante um levante de 18 dias contra seu governo. Esse veredicto também foi revogado após recurso apresentado por seus advogados. Mubarak seria julgado novamente pelo caso em dezembro, mas a questão foi recusada por questões técnicas.

Os filhos do ex-presidente foral libertados um dia depois de violentos confrontos entre manifestantes contrários ao governo e a polícia terem marcado o quarto aniversário do levante que encerrou os 29 anos de Mubarak no poder. A violência de domingo deixou pelo menos 23 mortos, dentre eles três homens que, segundo as autoridades, morreram enquanto plantavam bombas, além de três policiais. Segundo o Ministério da Saúde, 97 pessoas ficaram feridas.

A libertação dos dois irmãos, vistos por muitos como os pilares de um governo corrupto de autoritário, pode resultar em mais protestos e certamente vai aumentar a percepção entre ativistas seculares e liberais, que estiveram por trás do levante de 2011, de que o regime de Mubarak está voltando desde que o general Abdel Fattah Sissi assumiu a presidência em junho. /AP

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