Filipinas declaram estado de calamidade e lutam para levar ajuda às vítimas

Tragédia que pode ter matado mais de 10 mil leva governo a decretar toque de recolher, enquanto ONU libera fundo de emergência de US$ 25 milhões

O Estado de S. Paulo,

11 de novembro de 2013 | 19h24

(Quase 10 milhões de pessoas foram atingidas pelo tufão Haiyan. Foto: Aaron Favila/AP)

MANILA - O presidente das Filipinas, Benigno Aquino III, decretou ontem estado de calamidade em razão das mortes e da destruição causadas pelo tufão Haiyan, que atingiu o país entre sexta-feira e sábado e pode ter deixado mais de 10 mil mortos. A medida é uma tentativa de evitar a especulação financeira e impor um controle de preços sobre os bens de primeira necessidade.

Segundo oficiais filipinos, o número de pessoas atingidas chega a quase 9,7 milhões, das quais 615 mil foram desalojadas. Cerca de 430 mil filipinos foram levados para 1,4 mil abrigos temporários.

"As autoridades locais estimam que cerca de 10 mil pessoas morreram só em Tacloban", afirmou a chefe de operações humanitárias da ONU, Valerie Amo. Anteriormente, a organização estimava em 10 mil o total de mortos.

Ontem, as Nações Unidas liberaram US$ 25 milhões de seus fundos de emergência para o país. Pelo menos uma dezena de aviões militares de carga dos EUA e das Filipinas chegaram à cidade de Tacloban, na Província de Leyte - região mais afetada pelo tufão. Segundo a Força Aérea filipina, 66 toneladas de suprimentos já foram distribuídas desde sábado.

"As pessoas estão perambulando pela cidade, procurando comida e água", disse Christopher Pedrosa, um funcionário do governo.

Caminhões que saem de aeroportos levando ajuda estão tendo dificuldades para entrar nas cidades em razão da grande quantidade de pessoas que tentam deixar as áreas mais destruídas. Centenas de pessoas já partiram em aviões cargueiros para a capital, Manila, ou para Cebu, segunda maior cidade do país, e muitos outros dormem de modo precário nos aeroportos na esperança de conseguir entrar num voo nos próximos dias.

No fim de semana, foram registrados saques em mercados e em shopping centers. Segundo Pedrosa, na manhã de ontem, soldados dispararam tiros de advertência para impedir que pessoas roubassem combustível de um posto. Uma presença maior de soldados e da polícia nas ruas cobertas de detritos também impediu que mais saques ocorressem.

Em algumas áreas, garrafas de refrigerante foram distribuídas de graça, já que era impossível encontrar água potável. As autoridades estão prevenindo os moradores para que não bebam água de poços, provavelmente poluídos. No entanto, há um outro motivo para os saques terem diminuídos. "Não sobrou nada para saquear", disse Pedrosa.

Um aviso escrito à mão, colocado em um posto de polícia improvisado perto de uma loja de departamentos, alertava para o toque de recolher de 20 horas às 5 horas. Segundo a Reuters, não foi possível confirmar se a medida está sendo cumprida.

Até ontem, as autoridades só confirmavam 942 mortes em todo o país. Entidades de ajuda humanitária que trabalham nos resgates, no entanto, mantêm a previsão de milhares de mortos, já que muitos corpos ainda podem estar debaixo de escombros. Segundo a ONG Care, até a manhã de terça-feira, horário local (noite de segunda-feira, no Brasil), muitas áreas ainda estavam isoladas e não tinham recebido nenhum tipo de ajuda.

"As pessoas estão desesperadas. Algumas autoridades nos avisaram que houve saques nesta região, que as pessoas estão procurando arroz para alimentar suas famílias", escreveu a responsável pela comunicação da Care, Sandra Bulling.

Também atuando na região, a Médicos Sem Fronteira (MSF) afirmou, em nota, não ser possível avaliar a dimensão das necessidades na região porque é muito difícil chegar às regiões mais remotas das Filipinas. "No momento, estamos operando em meio a um vazio em termos de informação. O que sabemos é que a situação é terrível. No entanto, é aquilo que não vemos o que mais nos preocupa. Ninguém sabe como está a situação em zonas rurais e remotas e levará tempo até que tenhamos uma imagem completa", disse a coordenadora de emergência de MSF, Natasha Reyes.

Mais mortes. Ontem, o Haiyan também passou pelo Vietnã e chegou ao sul da China, deixando pelo menos 17 mortos e centenas de feridos nos dois países. No fim de semana, oito pessoas morreram em Taiwan durante a passagem da tempestade. / AP, REUTERS, AFP e EFE

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