Filipinas decretam estado de calamidade

Equipes de socorro continuam a achar corpos 4 dias após Tufão Bopha arrasar região remota; expectativa é que cifra de mortos passe de mil

NEW BATAAN, FILIPINAS, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h04

O presidente das Filipinas, Benigno Aquino, declarou ontem estado nacional de calamidade em razão das mortes e destruição provocadas pelo Furacão Bopha, que há quatro dias varreu o sul do país. A contagem oficial de mortos continua a subir e estima-se que a cifra final de vítimas passe de mil pessoas.

Com o decreto do presidente, os preços de produtos básicos, como alimentos, foram congelados e autoridades locais passaram a ter acesso a fundos destinados exclusivamente a emergências. O dinheiro será usado nos esforços de busca de corpos - centenas ainda estão desaparecidos - e para começar a reconstrução de casas e infraestrutura.

O Bopha foi o tufão mais violento a cruzar as Filipinas em 2012. Segundo dados oficiais divulgados ontem, 459 morreram e 532 estão desaparecidos. Milhares estão desabrigados.

As regiões mais atingidas foram o Vale de Compostela e Davao Oriental. O governo enviou cães farejadores para esses locais, além de equipamento pesado, como tratores e caminhões, para auxiliar nas buscas.

"Não sei o que fazer, realmente não sei onde procurá-los", lamentava Anna Joy Adlawan, estudante de 14 anos levada a uma escola pública sem saber onde estavam seus pais. "A última vez que falamos com eles foi quando minha mãe telefonou pedindo ajuda, pois as águas estavam subindo."

Com ventos de até 210 km/h, o Tufão Bopha - ou "Pablo", como os filipinos o chamam - devastou um quarto das plantações de banana do arquipélago, que é o terceiro maior exportador mundial da fruta. Cerca de 10 mil quilômetros quadrados de campos desse cultivo foram destruídos, dos 42 mil existentes no país.

"As Nações Unidas estão prontas para prover assistência humanitária e mobilizar ajuda internacional (para assistência às vítimas do tufão)", declarou pouco após a tragédia Martin Nesorky, porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O governo filipino pediu ajuda da Organização Internacional de Migrações, com sede na Suíça, para a construção de abrigos provisórios para os sobreviventes. As autoridades do país enviaram barcos carregados com alimentos e equipes de resgate para Mindanao, a província onde ficam o Vale de Compostela e Davao Oriental.

Muitas das vítimas são migrantes pobres, atraídos a Nova Batan e Monkayo para trabalhar nas minas de ouro. A região guarda grande parte dos recursos minerais das Filipinas, mas sua infraestrutura é precária - o que explicaria a demora para estimar a destruição provocada pelo Bopha. / REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.