Filipinas: eleições definem futuro de Arroyo

Começou hoje nas Filipinas a eleição que vai determinar os novos senadores e deputados do país, além de vários governadores e prefeitos. Para a presidente Gloria Macapagal Arroyo, a votação é extremamente importante, pois só assim a nova governante poderá conseguir estabilidade política para continuar no poder até 2004.Nesta eleição, 34 milhões de pessoas vão escolher 13 senadores, 209 deputados, governadores e prefeitos. Os resultados devem indicar o nível de apoio popular ao governo de Arroyo, que sucede o ex-presidente Joseph Estrada, deposto por causa de acusações de corrupção em sua administração. Arroyo não participa da votação - ela planeja ficar até o fim do mandato previsto para Estrada, que se encerra em 2004. O resultado, porém, vai demonstrar a força política que a presidente ainda tem para comandar o país. O resultado ainda levará alguns dias para ser divulgados, mas a última pesquisa de boca-de-urna indicava que o governo de Arroyo deve ficar com oito das 13 cadeiras disputadas no Senado filipino. Entre os senadores que procuram se reeleger estão Miriam Defensor Santiago, Gregorio Honasan e Juan Ponce Enriek. Os três senadores são acusados de incitar manifestantes pró-Estrada a realizar um golpe para depor a presidente Arroyo. ViolênciaA campanha eleitoral foi marcada por ondas de violência que causaram a morte de mais de 50 pessoas, incluindo um congressista assassinado no sábado, junto com seu guarda-costa. Soldados na ilha de Pangutaran disseram hoje que encontraram os corpos de três civis, provavelmente assassinados em uma disputa entre cabos eleitorais dos candidatos a prefeito da ilha.O coronel Francisco Gudani disse que os oficiais militares montaram um esquema de segurança para conter a violência dos rebeldes separatistas muçulmanos. O esquema, segundo Gudani, inclui o uso de 23 embarcações da Marinha e 24 aeronaves, entre helicópteros e aviões. Um dos confrontos deixou um manifestante pró-governo morto.EstradaO ex-presidente Estrada e seu filho, Jinggoy, ex-prefeito de San Juan, foram presos, mas agora estão hospitalizados em razão de doenças que surgiram quando estavam na detenção. Assim que as eleições foram iniciadas, porém, funcionários do governo levaram cédulas e uma urna para que os dois políticos pudessem votar.Estrada foi preso no final de abril sob a acusação de crimes de corrupção - entre os quais, peculato (apropriação indébita de bens públicos), punido com pena de morte. O ex-presidente deixou o cargo há quatro meses na esteira de vários escândalos de corrupção que, segundo denúncias, lhe teriam rendido cerca de US$ 80 milhões.Ele deixou o palácio do governo em janeiro depois de sucessivas e violentas manifestações de protesto em Manila e outras grandes cidades do país, lideradas pelos partidos de oposição. Estrada, porém, se diz inocente e afirma ser o líder legítimo das Filipinas.

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