Rappler/Handout via REUTERS
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Filipinas permitem que jornalista Maria Ressa participe de cerimônia do Nobel da Paz na Noruega

Maria Ressa ganhou o Prêmio Nobel da Paz no mês passado, mas não tinha autorização para deixar as Filipinas devido a diversas acusações legais.

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 17h49

MANILA - A jornalista das Filipinas Maria Ressa terá permissão para viajar à Noruega para receber pessoalmente seu Prêmio Nobel da Paz no próximo dia 10 de dezembro, decidiu o Tribunal de Apelações do país nesta sexta-feira, 3.

Ressa, CEO da agência de notícias Rappler, da capital Manila, enfrenta várias acusações legais, considerada de motivação política por seus defensores. Ela teve que solicitar permissão para viajar para o exterior em vários tribunais filipinos.

O Tribunal concedeu um período de viagem de cinco dias para Ressa visitar a Noruega, acrescentando que ela "não representa um risco de fuga".

O Comitê Norueguês do Nobel decidiu que a cerimônia de premiação deste ano será um evento presencial que ocorrerá na Prefeitura de Oslo.

O procurador-geral José Calida, junto com uma dúzia de outros procuradores, havia escrito que Ressa era tinha "risco de fuga" porque "suas críticas recorrentes aos processos legais filipinos na comunidade internacional revelam sua falta de respeito por o sistema judicial”, relatou o Philippine Daily Inquirer .

A jornalista já teve permissão para deixar as Filipinas antes, inclusive no mês passado, para fazer palestras na Universidade de Harvard.

Ressa ganhou o Prêmio Nobel da Paz no mês passado junto com o jornalista russo Dmitry Muratov por seus esforços para "salvaguardar a liberdade de expressão, que é uma pré-condição para a democracia e uma paz duradoura".

O prêmio é o primeiro Nobel da Paz para jornalistas desde que o alemão Carl von Ossietzky o ganhou em 1935 por revelar o programa secreto de rearmamento de seu país no pós-guerra.

A jornalista enfrenta várias acusações legais, incluindo de evasão fiscal. Ela está em liberdade sob fiança enquanto apela da sentença de seis anos de prisão por difamação cibernética, em um caso que muitos viram como um golpe para a liberdade de imprensa.

Apoiadores veem as acusações contra Ressa, assim como muitas ameaças, como punição por seu rígido escrutínio das políticas do governo filipino, incluindo a guerra do presidente Rodrigo Duterte contra as drogas.

O governo nega que persegue a imprensa e diz que todos os problemas que as organizações enfrentam são legais, não políticos. 

Na segunda-feira, 29, as Nações Unidas pediram às Filipinas que permitissem que Ressa viajasse à Noruega para receber o prêmio. / WASHINGTON POST E REUTERS

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