Filipinas permitirá mediação internacional com separatistas

Ato era uma das principais condições impostas pelos rebeldes muçulmanos para retomar as negociações de paz

Efe,

16 de setembro de 2009 | 04h17

O governo filipino chegou a um acordo nesta quarta-feira, 15, permitir a mediação da União Europeia (UE) ou a Organização da Conferência Islâmica (OIC) no conflito armado que mantém com os separatistas há quatro décadas. A mediação internacional era uma das principais condições impostas pelos rebeldes muçulmanos da Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI) para retomar as negociações de paz, paradas há um ano.

 

Em comunicado, o governo da presidente, Gloria Macapagal Arroyo, assinalou que a mediação do chamado Grupo Internacional de Contato, cuja composição está ainda por determinar, terá como objetivo um acordo de paz. "A participação do Grupo Internacional de Contato é a maior conquista para perseguir a paz em Mindanao", apontou Rafael Seguis, chefe negociador governamental, por meio de um comunicado.

 

O governo das Filipinas indicou na terça-feira passada que confia em que as negociações com os representantes do FMLI possam ser retomadas na próxima semana, uma vez finalizado o Ramadã, período de jejum muçulmano.

 

Em meados de julho passado, o Executivo das Filipinas ordenou suspender todas suas operações militares nas zonas de conflito em Mindanao, no sul do arquipélago. As negociações estão paralisadas desde que a Corte Suprema anulou em agosto de 2008 um memorando de entendimento pactuado por governo e rebeldes, que ia aplanar o caminho para um acordo de paz.

 

O pacto se chocou com a oposição de vários políticos cristãos do sul do país, que tacharam o acordo de uma cessão encoberta aos muçulmanos da soberania sobre a zona. Então, os comandantes rebeldes do FMLI responderam atacando povoados católicos em Mindanao apesar do cessar-fogo vigente desde 2003.

A onda de violência deixou um rastro de mais de 300 vítimas mortais - entre elas muitos civis - e cerca de meio milhão de deslocados, a maioria dos quais ainda não pôde voltar a seu lar.

 

Os cinco milhões de muçulmanos de Mindanao, primeiros habitantes da ilha antes que chegassem os colonizadores espanhóis, mantêm uma difícil convivência com a maioria de nove milhões de cristãos.

Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas, com mais de 12 mil combatentes que lutam a favor de um Estado islâmico independente no sul do país.

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