REUTERS/Christian Hartmann
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Fillon consolida favoritismo à presidência da França

Ex-primeiro-ministro que venceu no domingo as primárias da direita surge em pesquisas à frente de Marine Le Pen

Andrei Netto - Correspondente / Paris , O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2016 | 05h00

O novo líder do partido Republicanos, François Fillon, é também o novo favorito nas pesquisas de opinião para as eleições presidenciais de abril e maio de 2017. O deputado católico praticante, conservador sobre assuntos sociais e ultraliberal em temas econômicos superaria a líder de extrema direita, a populista Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), em todos os cenários. 

A mesma sondagem indica ainda que o atual chefe de Estado, François Hollande, ficaria em quinto lugar – o pior desempenho da história contemporânea do Partido Socialista (PS). 

Fillon surpreendeu a opinião pública ao superar a concorrência do ex-presidente Nicolas Sarkozy e do ex-primeiro-ministro Alain Juppé nas prévias republicanas, encerradas no domingo. Fortalecido pelo apoio de 3,5 milhões de eleitores que participaram da primária, o ex-primeiro-ministro, que chefiou o governo entre 2007 e 2012, agora encabeça a disputa. 

Segundo pesquisa do instituto Harris Interactive, o conservador reúne 26% dos votos no primeiro turno, à frente de Marine Le Pen, que teria 24%. Em terceiro lugar aparece o ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, líder do movimento social-liberal En Marche, que soma 14% das intenções de voto. Em quarto lugar ficaria o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, que tem apoio do Partido Comunista (PCF), com 13%. Hollande, que ainda não declarou sua candidatura, só aparece com 9%. 

Na hipótese de que Fillon e Marine passem ao segundo turno, a transferência de votos seria esmagadora em favor do republicano, que soma 67% das intenções de voto, contra 33% da potencial rival.

A pesquisa confirma a análise de cientistas políticos que advertiam para o impacto avassalador que Fillon causaria sobre o eleitorado de Marine Le Pen. Isso ocorre porque o ex-primeiro-ministro adotou um tom conservador de direita, com ênfase na liberalização econômica, mas sem propor a ruptura com a União Europeia, o abandono do euro ou o fechamento das fronteiras. Para o cientista político Frédéric Dabi, diretor do instituto de pesquisas Ifop, a vitória de Fillon nas primárias deve fazer renascer a oposição entre republicanos e socialistas. 

“Fillon é capaz de refundar a oposição esquerda-direita por seu posicionamento de direita e liberal”, entende o analista, que adverte para o alto risco das disputas internas do PS.

Enquanto a direita vive dias de euforia na França, o principal partido de esquerda segue se fragmentando. Desde o fim de semana, a hipótese de que o atual primeiro-ministro, Manuel Valls, viesse a se lançar pré-candidato à presidência, desafiando seu chefe, Hollande, nas primárias do PS, vinha ganhando força. 

As prévias do Partido Socialista, abertas a todos os eleitores aptos a votar – de direita, centro ou de esquerda – acontecerão entre 22 e 29 de janeiro de 2017. Até aqui, o principal nome a lançar sua pré-candidatura é o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg, que representa a ala mais radical da legenda.

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